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outubro 10, 2006

Que tipo de solo tem (2)?


Vejamos então como é possível melhorar e gerir adequadamente cada um destes três tipos de solo.

No solo arenoso, as partículas constituintes são grandes e irregulares (areias)com uma maior percentagem de rocha. Os espaços de ar entre as partículas são grandes deixando a água escoar-se a maior velocidade, arrastando consigo os nutrientes antes das raízes da planta terem tido a oportunidade de os absorver convenientemente. Por esta razão, em geral os solos arenosos são muito pobres em substâncias nutrientes.

Como existe muito ar entre as partículas, os microorganismos consomem mais rapidamente as substâncias orgânicas que possam existir, deixando o solo com muito pouco barro ou matéria orgânica, ou seja, sem grande capacidade para formar uma estrutura consistente. Neste tipo de solos as partículas não se agregam umas às outras, nem mesmo quando são molhadas.

Eis o que há a fazer para melhorar um solo arenoso:
- Introduza na superfície uma camada de 7,5 a 10 cm de esterco animal bem curado ou de adubo vegetal bem decomposto;
- Cubra o solo em volta do pé das plantas com folhas secas, pedaços de madeira, cortiça, palha ou feno. Esta cobertura retém a humidade e refresca o solo.
- Anualmente acrescente pelo menos 5 cm de matéria orgânica;
- Onde for possível, semeie plantas próprias para depois serem incorporadas no solo enriquecendo-o (tremoceira, etc…)

No solo argiloso, as partículas são pequenas e espalmadas. Têm tendência para se colarem umas às outras de tal modo que não deixam quase nenhum espaço poroso entre elas. Quando molhados, estes solos ficam lamacentos e impossíveis de trabalhar. Drenam a água com muita dificuldade e acumulam humidade até ao princípio da Primavera. Quando finalmente secam, tornam-se em geral tão rijos que racham com o calor.
Porque têm pouco espaço poroso no solo argiloso não se desenvolve suficiente substância orgânica nem os microorganismos. As próprias raízes têm dificuldade em romper a barreira dura que encontram, muitas vezes agravada pelo tráfico de pessoas ou de máquinas que também ajudam a compactar este tipo de solo. Em contrapartida, o solo argiloso é com frequência rico em minerais que, quando se consegue melhorar a estrutura, passam a desempenhar um papel muito benéfico para o desenvolvimento das plantas.

Eis o que há a fazer para melhorar um solo argiloso:- Introduza na superfície uma camada de 5 a 7,5 cm de esterco animal bem curado ou de adubo vegetal bem decomposto; continue a adicionar 1 cm de matéria orgânica todos os anos;
- Faça este tratamento se possível no Outono;
- Para melhorar a drenagem, faça canteiros elevados e evite pisar o terreno onde pensa ter as plantas;
- Reduza ao mínimo a utilização de pás e ancinhos.

No solo lodoso, existem pequenas partículas irregulares de rocha partida, em geral muito densas e com relativamente pouco espaço poroso proporcionando má drenagem. Tendem porém a ser mais férteis do que os solos arenosos ou os argilosos.

Eis o que há a fazer para melhorar um solo lodoso:- Introduza todos os anos pelo menos uma camada de 2,5 cm de esterco animal bem curado ou de adubo vegetal bem decomposto na superfície;
- Concentre a sua atenção nos primeiros 30 cm do solo, evitando que crie crosta;
- Não circule nem calque o solo a não ser que seja absolutamente necessário;
- Considere a possibilidade de construir canteiros elevados, para melhorar a drenagem.


10-11-2004

julho 20, 2006

Que tipo de solo tem (1)?

Nem sempre o terreno que encontra na natureza é o melhor para reproduzir as plantas do seu jardim. Se estiver a preparar um jardim e quiser saber que tipo de terreno é o seu, terá que conhecer as diversas opções possíveis.

Em geral, um solo pode ser de três tipos: arenoso, barrento e argiloso. O solo "perfeito" necessita muitas vezes de uma intervenção no sentido de corrigir os excessos possíveis e prepará-lo para cada tipo de planta.

Dependendo da história da sua formação e da utilização a que foi sujeito, um solo pode ter uma textura constituída por uma gama de partículas mais finas e pequenas ou pelo contrário, ter menos partículas, mais irregulares e maiores.

Um solo pode ser descrito consoante o tipo predominante de partículas presentes – areia, lodo ou barro. Com um teste simples você pode determinar com facilidade qual o tipo de solo. Se verificar existirem diferenças de um local para outro, poderá repetir este teste com várias amostras de solo.

Para isso basta colocar uma pequena quantidade de terra do seu jardim na palma da mão esquerda, humedeça-la ligeiramente, apertar entre dois dedos e ver o que sente: se o solo for arenoso sentirá rugosidade; se for lodoso, terá uma sensação de pó de talco molhado, suave; mas se ficar peganhento, escorregadio e duro quando seco, então o seu solo é do tipo argiloso.
 
Cada um destes três tipos de solo tem características físicas únicas, que são determinadas pela maneira como foi formado. Se em tempos existiu um fluxo de água corrente, é provável que o solo tenha características lodosas que serão diferentes se for um local perto de uma montanha rochosa. Estas características básicas podem perfeitamente ser melhoradas ou manipuladas, no bom sentido, desde que não se abuse ou se cometam erros na gestão do solo.

Há ainda outro modo de estudar um solo:
1. Encha um recipiente transparente (frasco) com solo de superfície até 1/3 da altura e acrescente água até ao cimo.
2. Tape com a rolha e abane vigorosamente até desfazer todos os torrões existentes no solo.
3. Ponha o recipiente no parapeito de uma janela e observe à medida que as partículas maiores começam a depositar-se no fundo.
4. Num minuto ou dois, a parte do solo que corresponde à areia (mais pesada) deposita-se no fundo e nessa altura, faça uma marca lateral com uma caneta de feltro no recipiente.
5. Deixe a mistura repousar sem lhe mexer durante várias horas. Verá que as partículas mais finas de lodo se depositarão gradualmente sobre a areia, numa camada de cor diferente da anterior, conforme o tipo de partículas de que se compõem.
6. Deixe o recipiente repousar durante a noite. A camada que se deposita sobre o lodo poderá ser de barro.


Faça uma marca em cada uma das camadas que conseguir identificar. No topo da mistura deverá encontrar uma fina camada de matéria orgânica. Alguma desta matéria orgânica poderá flutuar à superfície da água ou toldar a água que entretanto se concentrou à superfície. Se não existirem estes elementos numa camada de água turva, é provável que tenha de melhorar a fertilidade e a estrutura do solo adicionando material orgânico.

Estude finalmente a proporção das diversas camadas e verificará se o seu solo é constituído por mais areia, lodo ou argila. Depois adapte-o de acordo com o tipo de plantas que pretende cultivar.


Qualquer solo, por mais pobre que seja, pode ser substancialmente melhorado e o esforço para o conseguir - muitas vezes ao longo de vários anos - é recompensado através do nascimento de plantas com raízes mais fortes, com caules mais vigorosos e em geral mais saudáveis e produtivas.Veja como pode melhorar o seu solo no post que se segue.

10-11-2004

julho 09, 2006

Sardinheira (Pelargonium ou Geranium)

Família:Geraniaceae
(família dos geraniuns)
Nome comum: Sardinheira
Outras variedades: São inúmeras, realçam-se as que possuem folha em forma de hera, as de folhas perfumadas e a híbrida mais vulgar que é mais conhecida por Regal (Martha Washington).

 
Descrição: As Sardinheiras são plantas perenes mas não resistem ao frio e à geada, pelo que em regiões de temperatura extrema devem ser recolhidas para um local protegido no Inverno. Ao contrário de muitas outras plantas, a Sardinheira não necessita de descanso anual, por isso dá flor desde que seja possível providenciar-lhe luz, água e calor adequados. Em geral dá-se melhor com Verões quentes e secos e noites frescas, mas em Portugal encontra-se uma grande variedade em quase todas as regiões.  

Origem: África do Sul, embora actualmente existam vários cultivares e híbridos em todo o mundo.

Cultura:
Após adquirir uma planta jovem envasada, deixe a terra secar um pouco e com cuidado vire o vaso segurando com uma mão na superfície da terra e com a outra o vaso, retirando a planta para verificar como estão as raízes. Se não estiverem demasiado enroladas à volta do vaso e muito compactadas, deixe ficar onde estão por mais 5 a 6 semanas. Se pretender mudar para outro sítio (o que se torna obrigatório no caso de as raízes estarem muito apertadas) escolha um vaso ligeiramente maior e um substrato próprio para plantas, misturado com um pouco de areia de rio, porque a Sardinheira não suporta humidade excessiva nas raízes e a areia ajuda a drenar.

A Sardinheira gosta de mudar de solo com frequência, mas para além deste aspecto e de se dever “pinchar” sistematicamente com uma tesoura as pontas que crescem, para manter a boa forma da planta, quase nada mais é necessário à sua sobrevivência.
Também vale a pena sacrificar as primeiras flores no início da época, para conseguir manter a boa forma do conjunto, conseguindo-se uma estrutura de ramos firme e densa, que produzirá mais vegetação e flores do que se não for aparada.
Se a planta não for nova, deve ser podada fortemente em cada ano, em geral no início da Primavera. Corte tudo o que sejam ramos finos e compridos e ainda os que pareçam secos e pouco saudáveis,
Luz: A maior parte das espécies dá-se bem com sol aberto ou com sombra parcial, pois gosta de muita luminosidade, mas nunca com o sol directo e muito quente dos meses de Julho e Agosto, que pode queimar as folhas mais tenras. Os extremos são o gerânio Martha Washington ou Regal, que necessita de alguma sombra e o Pelargónio ou gerânio perfumado, que prefere mais sol. No Inverno deve ser reduzida a quantidade de rega para uma vez por semana, pela manhã, para que à noite a terra esteja seca.
Humidade: Não tolera a humidade excessiva na raiz, por isso o solo deve ser bem arejado e poroso. Uma mistura com alguma areia de rio, em cima de algum pedrisco ou leca resulta bem. Por esta razão as raízes não devem também ser plantadas muito fundas, sendo preferível deixá-las mais perto da superfície.
Resistência: Não suporta o frio excessivo (as folhas ficam avermelhadas) e morre com a geada, embora possa regressar na Primavera, mas sempre debilitada.
Fertilização: Embora não necessite de solos muito ricos, ganhará se for fertilizada ligeiramente na Primavera com fertilizante liquido 20-20-20 ou 15-30-15 sempre nas (ou abaixo das) doses recomendadas pelo fabricante.
Propagação: Por estacas com 7,5 a 10 cm retiradas dos ramos mais altos nos meses de Abril a Setembro, plantadas após serem mergulhadas no fertilizante hormonal próprio, em solo bem drenado, misturado com areia limpa e sem sal. Retirar as folhas inferiores da estaca em dois terços. Os rebentos novos nascem em 4 a 5 semanas.

Aplicações:
Dependendo da espécie a Sardinheira pode ser utilizada em cestos pendentes, em floreiras, em vasos pendurados nas janelas e em paredes ou em canteiros no jardim. Se pretender ter vários pés no mesmo contentor, prefira um conjunto da mesma cor e espécie ou pelo menos de tons que no conjunto sejam harmoniosos. Separados entre si cerca de 50 cm, verá o belo efeito que produzem. Não se esqueça de retirar todos os Verões algumas estacas para reprodução na estação seguinte, como acima referido. É das plantas mais fáceis de reproduzir e o efeito que produzem quando em quantidade é extraordinário.

Doenças e pragas: A Sardinheira é uma planta muito resistente às doenças e pragas, mas o excesso de água e o fungo que dá origem à botritis podem dar cabo de uma planta. Pessoalmente logo que deteto num caule uma mancha escura que contamina toda a planta, procuro na haste o local mais próximo que esteja saudável, rijo e verde e mesmo com os dedos corto essa parte da haste. O que também é fácil porque basta que quando promove uma forma mais arredondada da planta no seu conjunto, pode cortar - eu faço de novo com os dedos - e volto a enterrar a ponta quebrada no solo e sem grande cerimónias. Quase todas as hastes que plantei assim pegaram. Se o prejuízo for grande o melhor é deitar toda a planta fora e começar tudo de novo. Aliás, ao fim de dois ou três anos a planta fica com um aspeto envelhecido, mesmo quando lhe são dedicados todos os cuidados acima descritos quanto a botritis e crescimento desmesurado. Se gostar muito de uma determinada cor, escolha um ou dois pedaços de caule saudável e descarte a planta velha. Terá nova planta na primavera, cheia de flores no verão.

Características:  Para melhor promover a saúde e higiene destas plantas, não se esqueça de remover durante toda a floração, as flores e as folhas que secam, o que ajudará a planta a fortalecer-se. Remover também, como indicado em cima, as pontas dos rebentos novos para promover o aparecimento de mais ramos, folhas e flores.
29-07-2004 

julho 08, 2006

Hibisco (Hibiscus)

Família: Malvaceae


Nome comum: Hibisco
Outras variedades: Hibisco Coccineus, H. Rosa-Sinensis, H. Rosa de Sharon, Rosa Confederada, H. Brackenridgei , H. Hollyhock e algumas outras.

Descrição:
Em Portugal existem inúmeras plantas de Hibisco sobretudo na ilha da Madeira, onde as espécies tropicais se desenvolvem muito bem. A diferença entre o Hibisco tropical e o Hibisco perene é fundamental para diferenciar o tratamento que lhes deve ser proporcionado. Se o seu Hibisco tiver folhas brilhantes de um verde profundo, flores com um tamanho aproximado de 7 a 15 cm de diâmetro (cor de salmão, rosa pêssego, laranja, amarelo ou com pétalas duplas), então provavelmente é de uma espécie tropical. Por regra, só os Hibiscos tropicais dão flores com estas cores e possuem pétalas duplas.
Se o seu Hibisco tem, pelo contrário, folhas em forma de coração e de um verde mais claro, com flores de um diâmetro próximo dos 20 cms, cor de rosa e vermelho, cujos botões quando fechados têm a forma de uma bomba e um comprimento de 5 a 10 cms, então trata-se de um Hibisco perene não tropical.
Estes últimos necessitam de muito pouco cuidado no inverno, durante a época fria, podendo aparentemente “morrer” em zonas onde a temperatura desça abaixo dos zero graus, embora a raiz sem qualquer protecção suporte as temperaturas baixas e volte a produzir rebentos logo que o clima aqueça um pouco.

Porém, se o seu Hibisco for tropical o mesmo não acontece. O Hibisco tropical detesta o frio, a chuva e o solo húmido. Mais de uma noite ou duas de geada para uma planta destas é morte certa. Proteja-a com uma cobertura adequada ou, melhor ainda, retire-a para o interior seguindo os conselhos que adiante se indicam para estes casos, uma vez que dificilmente sobreviverão no exterior durante um Inverno onde as temperaturas cheguem abaixo dos 5 graus. Mude-as a tempo para uma garagem com luz, ou mesmo para dentro de casa num vaso bonito onde com sorte podem florir todo o ano.
Uma planta bem estabelecida pode ter um ou vários ramos que chegam aos 2,1 m de altura, flores com cinco pétalas brilhantes e um diâmetro de 2,4 a 3,2 cms. Qualquer flor do Hibisco nasce e morre no mesmo dia, mas a floração é contínua ao longo de todo o Verão e Outono. As folhas apresentam pontas viradas para o exterior em forma de serra.
A espécie swamp rose mallow é um arbusto perene com vários ramos e que atinge cerca de 1,75 metros de altura. Desaparece completamente no Inverno e reaparece na Primavera espontaneamente. Em geral as folhas não têm lóbulos nem serrilha, atingem os 5 a 7 cms de largura e os 15 a 20 cms de comprimento. Por baixo são aveludadas e por cima lisas. As flores têm cerca de 15 cms de diâmetro com pétalas brancas ou rosadas e centros cor de vinho tinto. Algumas espécies têm as folhas em forma de coração e flores enormes e de muitas cores.
Origem:Os Hibiscos são originários da Ásia e das Ilhas do Pacífico sendo a espécie H. rosa-sinensis a flor nacional da Malásia. Também se associa em geral ao Hawaii embora aí a espécie mais frequente seja uma variedade nativa, a H. brackenridgei.
Cultura:
Requer fertilização ligeira e frequente – os Hibiscos são muito glutões. Utilize fertilizantes que contenham elementos de ferro, cobre, boro. Um fertilizante granulado do tipo 10-10-10 resulta bem, embora a maior parte dos especialistas prefira um fertilizante com baixo teor de fosfato do tipo 7-2-7, que melhora a quantidade e a qualidade das flores. Fertilizantes do tipo 10-40-10 são em geral pouco recomendados – o fósforo (Ph) em excesso pode acumular-se no solo e com o tempo provocar o declínio geral da planta.
A utilização excessiva de fertilizantes ricos em nitrogénio (N) pode encorajar um maior crescimento da folhagem ao invés da produção de flores. Os fertilizantes solúveis em água são bons para aspergir sobre as folhas (alimento folicular) e para fertilizar plantas envasadas. Também resultam bem os fertilizantes líquidos com elevado teor de fósforo quando aplicados na folhagem. Pode sempre experimentar para verificar com que fertilizante a sua planta se dá melhor.
Já no fim do Inverno, raspe uns 5 cms da parte superior do solo e substitua com terra nova. Quando o fizer, não necessita de ter grande cuidado uma vez que quando muito estará a mexer em raízes velhas que já não fazem falta à planta. Depois de juntar terra nova, acrescente um fertilizante de libertação lenta, como por exemplo Osmocote. Ao mesmo tempo faça uma poda severa, utilizando tesouras próprias, muito limpas e afiadas, cortando acima de um nó. Nesta mesma altura pode também regar com uma solução de fertilizante diluído do tipo 20-20-20. Verá como a sua planta responde bem a este tratamento.
A partir do momento em que as temperaturas nocturnas passem a ser consistentemente acima dos 13º C, pode trazer de novo o seu Hibisco para o exterior. Nesta altura, tenha os seguintes cuidados:
- ao trazê-lo para fora faça-o gradualmente, isto é, coloque-o primeiro num local com sombra e protegido durante alguns dias, aumentando gradualmente a quantidade de sol a que passa a estar exposto.
- faça uma poda à sua planta se quer mudar a forma do arbusto ou induzir florações mais densas.
- caso necessário mude de vaso, embora o Hibisco prefira vasos apertados e caso o não faça, então substitua apenas o solo à superfície.
- com a mangueira em forma de chuva limpe tanto na parte superior como inferior das folhas onde se acumularam poeiras ou mesmo insectos. A planta agradece esta limpeza.
- só depois de duas ou três semanas no exterior deve começar de novo a fertilizar.
- evite deixar pratos com água debaixo dos vasos do Hibisco pois estas plantas não toleram as raízes húmidas.

Luz: O Hibisco dá-se bem em pleno sol.
Humidade: Algumas espécies toleram melhor do que outras um solo muito húmido, mas em geral o solo deve estar fresco sem ser encharcado. Se o solo secar, apenas os ramos já estabelecidos resistirão e mesmo nesses casos, sem água a planta reduzirá a produção de flores para se proteger.
Resistência: Em locais com incidência de geada nocturna, o Hibisco deve ser plantado num recipiente que no Inverno possa ser trazido para o interior, senão não sobrevive. O Hibisco perene pode ficar no exterior, com as raízes cobertas e preferencialmente “vestido” com alguma protecção contra o frio (plástico ou papel de jornal).
Temperaturas abaixo dos 2º a 5º C podem danificar os ramos mais tenros e se perdurarem por várias horas causam danos muito profundos em toda a planta. Algum do calor que existe no solo pode ser guardado por forma a proteger as raízes, colocando papel de jornal, plástico com bolhas ou até palha ao redor do caule principal. No fim do Outono utilize um fertilizante com baixo teor de nitrogénio, que ajuda também a tornar a planta um pouco mais resistente ao frio.
Pragas: Verifique com frequência se existem insectos, tais como afídios, mosca branca e cochonilha. Para reduzir o impacto negativo do tratamento regue a planta com abundância antes de utilizar insecticidas para combater os insectos. Em geral é aconselhável aplicar o tratamento de manhã cedo ou ao fim do dia quando as temperaturas estão abaixo dos 26º C. Aplique o produto nos dois lados das folhas seguindo sempre as indicações da etiqueta.

Corte: Desde que os cortes sejam feitos de forma limpa e com uma tesoura afiada, podar um Hibisco é fácil, porque pode ser feito em qualquer altura do ano de forma a adaptá-lo ao local onde se encontra.
A poda é utilizada para dar forma ao Hisbisco ou para revigorar a planta, para reduzir-lhe o tamanho ou ainda para limpar o arbusto de ramos doentes ou velhos. Embora o Hibisco tropical possa ser podado em qualquer altura do ano, a melhor época para o fazer é sem dúvida o início da Primavera, quando os novos rebentos que irão surgir já se encontrem defendidos do frio.
Alguns especialistas cortam um terço dos ramos mais longos numa primeira fase e 4 a 6 semanas depois voltam a cortar um terço dos ramos mais longos que entretanto persistirem. O instrumento de corte deve ser afiado e limpo e o corte deve ser feito de forma oblíqua apontando a tesoura para baixo, acima do nó ou “olho” mais próximo (um nó é a junção de uma folha com o ramo; existe um pequeno botão nesta junção que será activado após o corte). Cortando acima e para fora encorajará o desenvolvimento do botão nesse sentido. O rebento resultante do corte dá vigor à planta e estimula o aparecimento de mais flores.
Uma outra ideia para podar o Hisbisco é imaginar que a planta tem três lados. Pode um lado de cada vez de maneira a que os outros dois lados continuem a dar flor. Quatro a 6 semanas depois, faça o mesmo ao outro lado e assim por diante.
Desde o fim do Verão até ao início da Primavera o Hibisco reduz o seu ritmo de crescimento e por esta razão não deve ser transplantado nesta altura, uma vez que não criará raízes novas e existe o risco de as existentes poderem apodrecer antes que chegue a Primavera.
 
Propagação: A maior parte dos Hibiscos à venda nos viveiros ou floristas resultam de propagação por estaca. Esta modalidade resulta melhor numas variedades que noutras, mas pode ser feito através de um corte num ramo são, vigoroso e jovem, plantado num vaso de plástico num meio bem drenado, que pode ser uma mistura de terra com areia e esferovite, depois de introduzido o ponto do corte em fertilizante hormonal (que existe à venda para o efeito). O solo não pode secar nunca, este aspecto é muito importante.
Se colocar 15 a 20 pés num vaso com 15 cms as raízes deverão surgir num período de 6 a 8 semanas. Tanto a luminosidade, como temperatura e humidade elevadas, contribuem de forma definitiva para os resultados finais.
Também é possível propagar o Hibisco prendendo um ramo ao solo de maneira a criar raiz, separando-se depois a ponta do ramo da planta mãe com um corte limpo.
 
Aplicações:
As cores desta planta dão um efeito espectacular a qualquer jardim, especialmente junto a um lago ou fonte ou ainda na retaguarda de um canteiro. A profusão de flores sempre a surgir substituindo as que murcham, dá-lhe um toque de elegância. Num vaso, desde que podada para se manter forte e cheia de folhagem, tem a vantagem de poder ser protegida no Inverno.
 

Características:
Para florir abundantemente e desenvolver-se de forma saudável, o Hibisco tropical requer muita luz. No Verão contudo, o sol forte desde manhã até ao entardecer pode ser demasiado e queimar a planta, pelo que deve ser protegida por uma sombra; no Inverno porém, toda a luz que possa apanhar é favorável.
Se tratar o seu Hibisco de forma correcta, ele durará por muito tempo. As flores murchas devem ser retiradas todos os dias. Mas lembre-se que nenhuma planta é imortal e como tal, depois de 4 ou 5 anos num vaso deve ser substituída por outra nova planta.


05-11-2004

junho 23, 2006

Lavanda (Lavandula angustifolia)

Família: Lamiáceas (Labiadas)
Nome comum: Alfazema ou Lavanda
Outras variedades: L. stoechas, L. 'Hidcote', L. 'Sawyers'

Descrição: A Lavandula angustifolia, é uma planta com excepcional aroma que emite quer a partir das suas flores que surgem em Julho, quer a partir das suas “folhas estreitas” (angustifolia, tradução do latim) cinzentas esverdeadas. A flor da Lavanda é, regra geral, azul-lilás e desenvolve-se em espiga ao longo de um caule fino e longo, que cresce acima das folhas. Embora se julgue que é uma erva aromática, a Lavanda é um arbusto perene de caule lenhoso.


Origem: Regiões da Bacia do Mediterrâneo.



Cultura:
Muito fácil de cultivar, a Lavanda requer solo pouco fértil, quase dispensando qualquer fertilização adicional. Desenvolve-se em solos secos sem necessidade de rega especial. Não é atacada por pestes ou pragas e o único cuidado que requer verdadeiramente é a poda a realizar no mês de Abril sobre os ramos que nasceram no ano anterior, para encorajar novos rebentos e estimular floração mais abundante. Para melhores resultados, é aconselhável uma segunda poda a meio ou no fim do Verão com o objectivo de retirar as flores velhas e os respectivos caules secos. Resiste extraordinariamente ao frio, podendo durar anos a fio no mesmo local sem problemas.
Luz: A Lavanda gosta de exposição directa ao sol.
Humidade: A Lavanda gosta de solo neutro ou ligeiramente alcalino (Ph >7), arenoso e bem drenado. Tolera bem a seca e por essa razão pode ser utilizada em jardins de rochas (xeriscultura).

Resistência: Planta perene nas zonas 5 a 8, muito resistente ao frio.
Propagação: A propagação da Lavanda é muito fácil. Em Agosto ou Setembro retire estacas ou divida cada planta cuidadosamente pela raiz, plantando num meio arenoso e protegido do vento. É difícil obter plantas de Lavanda por semente, se bem que não seja impossível. Se quiser tentar, semeie directamente no local definitivo e aguarde algum tempo até que um rebento surja. A planta terá 25 a 30 cm ao fim de dois anos. Também existem pés de Lavanda de pequena dimensão em viveiro, mas tenha muito cuidado com a manipulação destas plantinhas pois são extraordinariamente sensíveis e não gostam de ser mexidas. Quando comprar estes rebentos veja se não está a comprar Rosmaninho (ou Alecrim) que é muito semelhante à Lavanda com este tamanho.

Aplicações:
Há uma grande variedade de plantas de Lavanda disponíveis cujas flores podem ser roxas, brancas, rosa ou azul. Existem variedades anãs - “Nana”- que não crescem mais do que 30 cm em altura e são excelentes para fazer bordaduras de canteiros. A variedade “Alba” chega aos 50 cm e tem pequenas flores brancas e rosadas. O cultivar “Hidcote” é conhecido por ter a cor azul mais profunda de todas as variedades.
A flor da Lavanda é utilizada em arranjos florais secos pois o seu aroma perdura por muitos meses. Para obter este resultado, corte simplesmente as flores quando se encontrarem totalmente abertas e pendure o molho num sítio fresco, ventilado e escuro, até secar completamente. O aroma da Lavanda é de há muitos anos considerado um dos mais agradáveis, tornando-a muito apreciada em saquetas que se guardam nas gavetas de roupa de casa e em misturas “pot pourri” ou de flores secas e aromáticas. A Lavanda pode ainda ser utilizada em chá aromático e como planta medicinal, por exemplo em aromaterapia, para induzir o sono.

Características:
A planta da Lavanda pode atingir um máximo de 1 metro de altura e outro tanto de largura, se bem que regra geral se mantenha com 50 cm de altura e sensivelmente o mesmo quanto à largura. Pode ser plantada num jardim de ervas ou como arbusto decorativo no meio de outros arbustos, como sebe ou ainda numa bordadura em volta de um canteiro ou ao longo de um passeio.
As borboletas e as abelhas são atraídas pela Lavanda que no Verão ondula brandamente com a azáfama que rodeia as suas flores do nascer ao pôr do sol.



23-06-2006

fevereiro 20, 2006

Ovos Estrelados (Limnanthes douglasii)


Família: Limnanthaceae
Nome comum: Ovos Estrelados ou Escalfados
Outras variedades: L. D. Sulfurea


Descrição: A planta que em inglês é popularmente conhecida por poached eggs ou Ovos Escalfados é quase inexistente em Portugal, embora seja de fácil cultivo e muito útil para combater os pulgões e outras pragas hortícolas. Atrai abelhas que se entretêm afanosamente durante o período solar diário, tão ocupadas que nem se incomodam com quem passa perto, o que é certamente uma vantagem. Apresentam-se num tufo verde compacto, com centenas de pequenas flores brancas com o centro amarelo. Daí o nome popular.
Origem: Provém das pradarias da costa oeste da América, especialmente da Califórnia e do Oregão.

Cultura:
A primeira sementeira deve ser feita no Outono em local definitivo onde passarão o Inverno. Caso as condições específicas não permitam este procedimento, semeiam-se em viveiro em Abril para transplantar no início da Primavera, em solo fresco e húmido, com boa drenagem. Guardar 20 cm de distância entre cada pé e regar com abundância.Luz: Sol pleno ou sombra filtrada.
Humidade: Abundante junto à raiz.Resistência: Suporta bem o sol e resiste nas zonas mais áridas, desde que exista alguma humidade no solo.Propagação: Por sementes, volta a nascer livremente no mesmo local na Primavera seguinte, a partir das sementes do ano anterior. Na primeira sementeira, devem distanciar-se as sementes umas das outras, uma vez que a folhagem da planta jovem é muito sensível e as raízes são capilares, tornando o processo de transplante mais fácil quando se encontram mais separadas. Corte a primeira geração de flores da época com uma tesoura de podar logo que amadureçam, retirando-lhes as sementes em formação, para que uma segunda geração de flores apareça ainda na mesma época.
Aplicações: Em bordos de pátio, debaixo de árvores e arbustos ou em pleno campo, onde acabam por se naturalizar pois são ligeiramente invasoras. As plantas jovens são perfeitamente identificáveis, com a sua folhagem fina e verde clara, podendo ser arrancadas ou transplantadas para outros locais, caso as sementes tenham ultrapassado a área onde são bem vindas. Em regra atingem 30 cm de altura e formam uma bela mancha colorida que atrai os insectos benignos. Quando adultas, os caules são tenros e partem-se com facilidade, mas para além deste aspecto não requerem nenhum cuidado especial.
Características: A facilidade com que germinam e se multiplicam, o efeito alegre que as pequenas flores proporcionam e a adoração que as borboletas, as abelhas e os insectos benignos lhe devotam, faz com que estes Ovos Escalfados sejam realmente uma planta prenunciadora do espírito da Primavera, cheios de cor e vida.

Para que se reproduzam de novo, corte as cabeças das flores, deixando as sementes maduras cair no solo e envolva tudo com terra fina numa passagem ligeira com o ancinho. A folhagem decompor-se-á enriquecendo o solo. Regue bem logo de seguida, mantenha o solo húmido e aguarde pela nova germinação, no início da Primavera.

20-02-2006

fevereiro 09, 2006

Ciclame (Cyclamen)

Família: Primulaceae
Nome comum: Cíclame
Variedades: C. coum; o C. hederifolium; o C. repandum; o C. graecum; o C. cilicium; o C. mirabile; o C. intaminatum; o C. libanoticum; o C. pseudibericum; o C. purpurascens e C. persicum.


Descrição:
O grupo das Primaveras é constituído por 15 variedades de plantas perenes, de folha caduca, provenientes de um tubérculo parecido com um bolbo. De entre elas, os Cíclames atingem 20 a 30 cm/s e possuem belas folhas de tom verde escuro em forma de coração, com traços finos de fios verde claro ou prateados. As flores, parecidas com uma borboleta pousada de asas juntas, podem ser simples ou duplas e sobressaem acima da folhagem em tons que vão do branco, ao vermelho, lilás, rosa, salmão ou que podem possuir mais do que uma cor. A primeira vaga de flores surge em geral de Setembro a Novembro, podendo repetir-se a floração ao longo do ano até ao fim do Verão.


Origem:
Os Cíclames nascem espontaneamente nas regiões ocupadas pela Grécia e pela Síria, de onde são originários.

Cultura: Muitas pessoas pensam que é muito difícil cultivar Ciclames, mas quando se compreende o seu ciclo de desenvolvimento esse processo é simples. Se seguir estas regras verá como se torna fácil desfrutar desta bela planta durante anos a fio.
- pode dar flor todo o ano, mas o ideal é conseguir que as plantas fiquem “dormentes” durante os meses de Verão para que dêem flores no Inverno e na Primavera seguintes.
- gosta de ambientes frescos, idealmente de temperaturas que vão dos 15 aos 18º.C durante o dia e dos 12 aos 15º.C durante a noite, sobretudo se estiver dentro de casa, mas tolera climas onde a temperatura do ar pode chegar aos 5º.C ou mesmo menos.
- enquanto tiver flores a planta deve ser colocada num local luminoso embora com luz indirecta.
- necessita de rega regular mas não em demasia enquanto estiver a crescer activamente e a florescer. Coloque o vaso num prato cheio de gravilha húmida para proporcionar à planta a humidade extra de que necessita. Durante o período de floração, mantenha o solo sempre húmido, não permitindo nunca que seque.
- quando regar, utilize sempre água tépida e nunca regue em excesso, permitindo apenas que a gravilha fique húmida e que a água evapore lentamente.
- remova sempre as flores secas ou murchas, desde o ponto de origem da flor e durante todo o período da floração.
- à medida que as flores desaparecem, corte as pontas à planta e fertilize com frequência de
preferência com uma solução líquida, até que surjam folhas novas e flores.
- quando as folhas começarem a secar, pare de fertilizar e reduza a quantidade de água gradualmente, permitindo que o tubérculo permaneça não activo durante algum tempo para poder descansar e reforçar-se - atenção, este aspecto é importante!
- quando o solo estiver completamente seco e todas as folhas tiverem desaparecido, coloque o vaso num local fresco e protegido do sol, durante 6 a 12 semanas pelo menos.


- retire o tubérculo do vaso e replante substituindo com terra nova, deixando o tubérculo semi enterrado em 1/3 ou mesmo pela metade.
- quando deste tubérculo começarem a surgir novas folhas, recomece a rega e fertilize mensalmente até que as flores apareçam na forma de botão. A partir daqui recomeça-se o ciclo anual de desenvolvimento do Ciclame.

Luz: Gosta de luz indirecta, de sombra ou de sol parcial. Resulta bem quando colocado à sombra sob arbustos e à volta de árvores com copa frondosa.

Humidade: o Cíclame necessita de uma atmosfera fresca e húmida para se desenvolver de forma saudável, mas é essencial que o solo drene bem e que seja organicamente rico. Se a terra em que está plantado for muito pesada e pouco porosa, acrescente areia ou gravilha fina e junte material orgânico (folhas em decomposição) para ajudar a torná-lo mais adequado. Nos canteiros, junte uma misture de pedrisco ao solo para permitir o escoamento mais eficiente das águas de rega.

Resistência: Quando adquirir um Ciclame verifique se existem junto ao solo botões de flores, sinal de que a planta está em pleno processo de desenvolvimento. Os Ciclames adquiridos em viveiros e nas floristas são da família C. persicum. O C. coum é uma das espécies mais resistentes e produz flores brancas, cor de rosa ou vermelhas. O C. hederifolium é outra das espécies resistentes de Ciclame que no Verão ou no Outono produz flores brancas ou cor de rosa com um centro escuro.

Propagação:
O Ciclame propaga-se por sementes a partir do fim do Verão, num meio húmido e muito orgânico, contendo folhas em decomposição, areia e húmus misturados. Um viveiro protegido ou um tabuleiro próprio para propagar permitirá obter melhores resultados. Como as sementes não germinam todas ao mesmo tempo, torna-se necessário repicá-las e replantá-las logo que as plantinhas tenham a estrutura suficientemente forte para poderem ser pegadas com os dedos com cuidado e mudadas de sítio. As plantas obtidas por meio de semente florescem no prazo de 15 meses (ou seja, mais de um ano depois, não desanime entretanto…) e devem manter-se num local fresco e com luz filtrada. Por volta do 14º. mês, ou seja um mês antes da floração, transplante para um vaso que coloca num local um pouco mais quente para ajudar o processo de floração.

Aplicações: Adaptam-se muito bem em canteiros, bordejando caminhos ou ainda em vasos dentro de casa. Apesar de ser vendida principalmente como planta de interior, o Ciclame de florista pode também ser plantado no exterior onde chega a dar flor todo o ano, desde que a temperatura não desça abaixo dos - 6 graus centígrados.

Características: Pertencem ao grupo dos Cíclames perenes o C. coum; o C. hederifolium; o C. repandum; o C. graecum; o C. cilicium; o C. mirabile; o C. intaminatum; o C. libanoticum; o C. pseudibericum; o C. purpurascens. O C. persicum é anual.

16-02-2006

janeiro 25, 2006

Estrela do Natal (Euphorbia pulcherrima)

Família: Euphorbiaceae
Nome comum: Poinsettia, Planta ou Estrela do Natal
Outras variedades: E. cyathophora, E. heterophylla e E. peplos



Descrição:

Do latim, pulcherrima significa a mais bela e na verdade quando se encontra na plenitude do seu ciclo vegetativo a Poinsettia exibe um conjunto floral brilhante e vermelho, assente numa coroa de folhas verdes, que faz dela uma das favoritas da época natalícia, só superada pela própria árvore de Natal.
Porém, quando cultivada em jardim esta espécie pode crescer e atingir mais de 3 metros de altura, ficando com o aspecto de uma árvore desengonçada. Nos ramos tenros desenvolvem-se então folhas bicudas e ovais, lateralmente dentadas e de cor verde escura. No topo destes ramos nascem flores muito pequenas e amarelas, no centro da estrutura colorida mais vistosa, muito juntas e sem pétalas, logo acima de uma camada de folhas modificadas de cor vermelha, conseguida através de um criterioso jogo de escuridão e luz .
As plantas que em Portugal se encontram à venda são impedidas de crescer mais do que 30 a 60 cm através da intervenção de agentes químicos, ou por eliminação sistemática do topo da planta até surgir o núcleo do qual surgirão as flores.

Origem
A E. pulcherrima é originária do México e foi tornada popular no século XIX pelo representante no Congresso dos Estados Unidos e primeiro Embaixador no México, Joel Roberts Poinsett (1828), constituindo a sua cultura em viveiro um dos actualmente mais rentáveis negócios mundiais, com vendas em grande escala num período curto de tempo, isto é, durante as festas de Natal. Em Portugal encontram-se à venda em supermercados, viveiros, floristas, lojas de decoração, mercados ao ar livre e até em feiras.


Cultura:

No exterior deve ser colocada sobre a superfície do solo uma camada de desperdícios protectores da luz solar, para evitar o crescimento demasiado das raízes, que a tornariam demasiado esbelta.

No fim do Inverno devem ser cortados os ramos mais antigos antes que surjam os novos rebentos, a fim de estimular o desenvolvimento geral da planta e obter mais flores. Ao longo de toda a Primavera e no início do Verão, cortar frequentemente com a unha as pontas de cada novo ramo, permite obter mais flores no Inverno. Porém, nunca mexer na planta a partir de meados de Agosto, pois ao retirar o núcleo dos botões que nessa altura começam a formar-se, pode pôr-se em causa o nascimento das novas flores.


Luz: Cultivada num local muito escuro as flores são mais pequenas, em menor número e a planta torna-se frágil e com um aspecto desengonçado. Embora tolere alguma sombra, tem preferência por um local onde exista maior quantidade de luz solar. Porém, a luz tem um papel preponderante na fase de desenvolvimento das flores, cujo aparecimento é induzido pelo surgimento de noites mais longas do que a duração dos dias. Sem a existência de noites longas, a Poinsettia continuará a desenvolver-se e a produzir folhas, mas nunca dará flores. Assim, é muito importante que na época própria – fim do Inverno anterior - a planta não receba qualquer tipo de luz durante um período equivalente a uma noite longa sendo reposta a normalidade no fim do Outono seguinte.

Humidade: Gosta moderadamente de água e quando cultivada em vaso, deve deixar-se secar a superfície da terra antes de regar de novo. Quando as folhas caem pode ser um sinal de que tem água em excesso.

Resistência: Sendo uma planta tropical, dá-se bem em Portugal e especialmente no litoral onde não está sujeita à geada que no Inverno pode destruí-la.

Propagação: Relativamente fácil de propagar através do corte de um ramo tenro, devidamente fertilizado com hormonas para enraizamento e colocado numa mistura de terra com areia, de preferência no fim do Inverno.

Aplicações:É uma planta barata e de fácil cultivo. Muito embora algumas pessoas a deitem fora logo após o Natal, pode ser mudada para um jardim no início da Primavera, onde crescerá rapidamente podendo atingir uma altura de três metros.

Características:Muito embora se pense que é venenosa, a Poinsettia não fará mais do que provocar uma má disposição e dor de barriga, não devendo por isso ser deixada perto de crianças muito pequenas.

25-01-2006

janeiro 20, 2006

Se Você é um Jardineiro Principiante isto é Consigo


Quase sempre as plantas adquiridas em viveiros ou em floristas duram pouco. Porquê? Porque as pessoas as compram como se fossem “bibelots” aos quais não é necessário mais do que limpar o pó de quando em quando…
Ora uma planta não é só um “bibelot”: pelo mesmo preço se calhar vale mais comprar uma peça Atlantis, ou um prato Vista Alegre: com tudo o que este tipo de consumidores gasta em plantas em cada estação do ano não ficaria certamente mais caro. Eu sei, também já fiz parte do “clã viveirista”.
Uma planta é um ser vivo e exige, como qualquer ser vivo, alguma ternura e atenção. Começa tudo no acto da compra: nos expositores, os vasos riem-se para nós, as flores parecem convidar-nos a comprá-las. Quantas vezes estão carregadas de fertilizantes e de outros produtos que servem para isso mesmo: para pôr as plantas a rir para nós, clientes incautos e ignorantes que entramos nas lojas e nos atrevemos a pousar os olhos nelas.
Mas negócio é negócio e se você for um verdadeiro fã do Clube dos Jardineiros Amadores, resistirá a todos os insucessos e com o tempo aprenderá a escolher o que mais lhe convém adquirir e a procurar onde melhor é fornecido, porque se há característica que o ser humano aprende a ter rapidamente é a de não ser enganado duas vezes pelo mesmo aldrabão. A menos que queira, acrescento…
Dito isto, o que aconselho? Se gosta de plantas e tem um pequeno apartamento na cidade, então faça uma coisa: compre sempre no mesmo sítio até ter a certeza que acertou num vendedor de confiança, seja ele uma florista de cidade ou um viveiro dos arredores. Não só gastará menos como fará justiça aos produtores e comerciantes mais sérios e merecedores.
Se o seu caso envolve a manutenção de um jardim, então pertence ao meu clube e aí já a música é outra. Para além do conselho que atrás dou e que se mantém actual, tem também a possibilidade de reproduzir as suas próprias plantas e nesse caso precisará muito pouco dos pontos de venda.

09-11-2004

janeiro 18, 2006

Buganvília (Bougainvillea species)


Família: Nyctaginaceae
Nome comum: Buganvília; Flor de Papel
Outras variedades: B. glabra “Harrisii” e “Sandevana variegata”, B. spectablilis e B. buttiana

Descrição: A Buganvília é uma trepadeira comum em Portugal, cujas flores no Verão atraem a atenção de quem passa onde quer que se encontre. A mais comum é a de cor roxa, mas nos anos mais recentes podem facilmente encontrar-se outras cores em qualquer viveiro. O seu nome provém de Louis Antoine de Bougainville, capitão de navio, advogado, matemático e explorador, que se juntou à armada francesa por volta de 1767 no Canadá, onde viria a conhecer e a fazer amizade com Philibert Commerson, viajante e botânico francês que em 1760 viajava ao serviço de Sua Majestade e veio a descobrir esta planta no Brasil, de onde é originária. Daí o nome de Bouganvillea.
Dos troncos, protegidos por fortes espinhos, ramificam todos os anos novos rebentos que crescem vigorosamente e para os lados de forma desordenada. Estas plantas podem também ser “domesticadas” em forma de arbusto, desde que se proceda ao corte das pontas nos rebentos novos à medida que eles crescem. As folhas têm o feitio de um coração e possuem uma cor verde escura. A variedade B. glabra atinge uma altura de 3 metros ou mais, tem folhas macias, mais pequenas e com menos espinhos enquanto que as folhas da B. spectablilis têm uma penugem no lado inferior.
As flores verdadeira são os pequenos tubos amarelos e brancos que se encontram envolvidos em três brácteas fundidas ou folhas modificadas, parecidas com papel, e que são as verdadeiras responsáveis pelo seu aspecto colorido. A B. glabra é uma trepadeira com troncos menos espinhosos e floresce intermitentemente durante toda a estação quente. A B. spectabilis
cresce com grande vigor podendo atingir facilmente cerca de 6 a 9 metros de altura.


Origem: Originária do Brasil, tornou-se uma espécie popular e ornamental em quase todo o mundo, especialmente nos climas quentes da América do Norte e do Sul, na Europa e no sudoeste asiático. Em Portugal encontra-se um pouco por todo o lado, com maior frequência no Algarve e no Alentejo, onde se desenvolve sem grandes exigências ou cuidados. Em alguns casos, pelo seu porte e vigor, algumas podas regulares fariam dos espécimes existentes e quase selvagens magníficos exemplares de decoração paisagística.



Cultura: Gosta de solos ricos e organicamente ricos mas bem drenados, tolerando embora condições mais adversas. Deve ser fertilizada ligeiramente apenas três vezes ao ano. Tolera o ar do mar, desde que seja protegida para não receber directamente o sal. Um dos seus pontos críticos são as raízes, muito delicadas e facilmente atingidas quando se transplanta ou movimenta a planta. Quando cultivada em vaso, prefere ter as raízes apertadas.
Luz: É muito importante que esta planta tenha pelo menos 4 a 6 horas diárias de sol na estação quente para poder florir. No Inverno perde as folhas e mantém-se em descanso, preparando-se para a época de floração seguinte. Cubra as plantas se houver risco de geada, com papel de jornal, telas de plástico, redes densas ou outro meios que evitem ser queimada pelo frio. Cubra o solo em redor das raízes com material protector orgânico ou não, para evitar os choques térmicos.
Humidade: A rega é semanal e moderada. Se deixar de florir, deve parar-se a rega e permitir que o solo seque ligeiramente à superfície, ou mesmo um pouco mais, para forçar o aparecimento da flor. Tolera pequenos períodos de seca. Dentro de casa desenvolve-se em forma de arbusto à temperatura ambiente desde que sujeita a podas regulares. Mas precisa de muita luz.
Resistência: Nas zonas 9 – 11 a B. glabra é um pouco mais resistente – mas no tempo frio a geada pode fazê-la desaparecer – embora possa regressar na Primavera.
Fertilização: Quanto mais fertilizante, mais folhas e menos flores. Cuidado portanto com a dose, que deve ser a mínima necessária, assim como a rega subsequente. O fertilizante mais adequado é o universal 10-10-10 (N-P-K) líquido, para efeitos mais imediatos e no máximo duas vezes ao ano.
Propagação: Com facilidade, por estaca, durante os meses de Verão. Procede-se ao corte dos ramos mais tenros obtendo-se estacas com 7,5 a 15 cm, retiram-se as folhas até meio e insere-se o corte num fertilizante com hormonas. Coloca-se a estaca fertilizada num vaso pequeno com uma mistura de solo e terra para plantas e areia, em partes iguais. Humedece-se sem exageros. A areia pode ser substituída por perlite ou vermiculite. Cobre-se o vaso com um saco de plástico transparente para manter a humidade e mantém-se num local luminoso mas não excessivamente quente, para poder criar o efeito de estufa. Logo que comecem a surgir novas folhas, transplanta-se com cuidado para o local definitivo. Atenção às raízes, espere que a terra seque um pouco para transplantar e não mexa no torrão em volta das raízes, que são o “calcanhar de Aquiles” das Buganvílias!


Aplicações: A Buganvília pode ser utilizada em vedações e paredes ou ainda enquadrando janelas. Sobretudo nas zonas de arquitectura mediterrânea, a Buganvília enriquece o décor e faz sobressair a luminosidade do ar com as suas cores vivas. A B. glabra é a trepadeira ideal para contentores ou vasos de grande dimensão que podem ser colocados em pátios ou até entradas. Pode ser podada sob a forma de arbusto ou orientada para trepar no sentido e forma desejados. Qualquer destas duas espécies cresce bem em alpendres ou encostada a uma árvore, por exemplo. Nas regiões menos quentes é possível cultivar Buganvílias em contentores que se devem proteger e guardar no fim do Verão, permanecendo no exterior apenas até ao Inverno, altura em que precisam de protecção e descanso, reduzindo-se quer a rega quer a fertilização. Logo que a temperatura exterior do ar chegue aos 18 graus e sobretudo quando deixe de existir o risco de geada, dependendo da região do País onde se encontrem, a Buganvília pode sair para o exterior, retomando-se então gradualmente a rega e a fertilização normais.

Características: A Buganvília é famosa pelas suas cores variadas que vão desde o roxo, à cor de vinho, laranja, branco, salmão e por outros tons mais raros e cuja cultura é menos fácil. É uma planta popular, exuberante e de crescimento rápido. Tem um preço acessível, pode ser multiplicada por propagação e não requer grandes cuidados.
28-07-2004

janeiro 16, 2006

Alisso (Lobularia maritima)



Família: Cruciferae/Brassicaceae
Nome comum: Alyssum, Alisso doce, Tomelos

Descrição: A maior parte dos jardineiros cultiva esta planta perene como se tratasse de uma anual. É uma espécie de baixa estatura (menos de 30 cm), com caule lenhoso, formando um denso volume de delicadas flores perfumadas brancas, rosa ou lilás. As flores nascem juntas em cachos redondos e podem ser simples ou dobradas, com um perfume semelhante ao do mel morno e doce daí o seu nome mais comum. As folhas são estreitas, com cerca de 2,5 cms. de comprimento, cobertas de pequenos pelos brancos.

Origem: O Alisso Doce e os quatro outros membros deste género são plantas nativas das regiões que contornam o Mar Mediterrâneo.

Cultura: Prefere solo enriquecido.
Luz: Prefere luz directa do sol mas tolera alguma sombra.
Humidade: Quando o solo está seco, deve ser regado mas nunca em excesso, pois provoca podridão.
Resistência: Zonas 4 - 9. Embora seja uma planta perene, como se torna muito deselegante a partir do segundo ano, cheia de caules desordenados e secos que se partem ao mais leve toque, costuma ser tratada como se fosse uma anual. Ganha em volume e aspecto geral. Após a floração e a criação de sementes, as mesmas são recolhidas e a planta é arrancada e volta a ser semeada na próxima estação, ou seja, no fim do Inverno.

Propagação:
Propaga-se por sementes no interior ou em local ao ar livre desde que protegido, depois de terminada a estacão das geadas. Quando germinar e logo que tenha atingido uma altura que permita agarrar o pequeno rebento com dois dedos, replantar em local definitivo, com distâncias de 15 cms entre si. As flores surgem após 45 dias. Por esta razão e para poupar tempo e trabalho, é mais fácil adquirir as sementes em viveiros ou nas lojas da especialidade.


Aplicações: Tendo em conta o seu perfil baixo, o Alisso é ideal para bordaduras de canteiros ou para sebes pequenas. Utilize também para criar revestimentos floridos de áreas mais vastas, sugerindo um tapete vivo e perfumado, ou no meio de pedras em jardins de rochas (xeriscape).

Características: O formato característico do Alisso Doce, baixo e redondo, com tendência para florir durante um longo período de tempo, fazem dele um valioso contributo para qualquer jardim. E muito acessível do ponto de vista da reprodução e fácil de propagar. O seu perfume delicado acrescenta valor a todas as outras qualidades que possui

6-01-2006