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junho 10, 2014

AS VARANDAS DE LISBOA

Ciclos de Vida no Jardim

Lamprantus em flor, também conhecidas por chorinas
 
Lisboa tem mais luz e mais sol do que qualquer outra cidade do hemisfério norte que se conheça. Mais luz, mais sol e também aquela chuvinha chata no Inverno, que não nos deixa andar pelas ruas sem chegar aos empregos completamente encharcados e prestes a “curtir “ uma quinzena de infalível gripe.
 
E - surpresa das surpresas! - tem também mais de 3.000 horas de sol em média por ano, apenas um pouco menos do que o Algarve ou o Sul de Espanha e mais do que qualquer outra daquelas maravilhosas cidades cheias de luzes, lojas e perfumes do norte da Europa.

Portanto, já temos o sol e a chuva, só faltam os cuidados com a alimentação e com o solo para podermos viver num jardim florido à beira mar plantado, embora a propaganda política à época apregoasse que tal já acontecia…

Mas é claro que isso é uma mentira completa, facilmente comprovada por quem já viajou para outros países menos dotados de sol (Canadá ou Holanda por exemplo) e que sabe que jardim plantado é que nós não somos, com certeza.
 
Basta prestar um pouco de atenção às janelas e varandas desta Lisboa. O que se vê em geral? Janelas com floreiras vazias ou com plantas esquecidas do ano anterior, entregues aos “cuidados” da poluição e do deus-dará, quando não com ervas daninhas perversamente debruçadas pelas paredes abaixo, mirando o transeunte nos passeios com ar pérfido e ameaçador.

E podíamos ter verdadeiros jardins suspensos, mais belos que os da Babilónia, os tais que chegaram a ser uma das sete maravilhas do mundo!!! Como? Com um pouco de cuidado. Nem sequer é necessário grande dispêndio, basta um pouco de atenção e alguma dedicação. Mesmo que o esforço inicial possa ser maior, o resultado ao longo dos anos compensa, acreditem.

Kalanchoe, junto aos fetos na varanda
Comecemos então pelo princípio: o “aquecimento” mental!

Se você acha que a sua casa é o seu LAR, se adora a sua cidade, se quer fazer da sua janela um jardim a espreitar para dentro, então prepare-se para o seguinte: aprenda a viver com o relógio da Natureza. O que quer isto dizer? Que como toda a gente sabe o ano tem doze meses e quatro estações e cada uma delas existe com uma função específica para as pessoas, assim como para as plantas e os animais.
 
Expliquemos isto melhor: em regra no Outono e no Inverno, as plantas descansam e preparam-se para um novo ciclo; na Primavera e no Verão, acordam e dão aquele ar de festa que nos faz andar mais alegres e mandar o patrão mais mal disposto às urtigas.

Ora isto equivale também a dois ciclos na vida do verdadeiro Jardineiro, mesmo o amador:

1) um que tem início no fim do Verão e que consiste em limpar os  canteiros de flores e folhas secas, arrancar raízes velhas e retirar pedras, detritos, etc;

2) outro que serve para preparar a sementeira e plantar novas plantas que tenham sido compradas para esse fim e que em geral tem início por volta de Março ou Abril de cada ano.

Se escolher espécies que durem de um ano para o outro (perenes ou semi-anuais), então este último ciclo simplifica-se e fica mais barato, porque com os cuidados devidos, as suas plantas durarão por mais de uma época. Basta manter o terreno limpo e fértil.

No caso de ter uma varanda, ou floreiras, ou janelas que permitam pendurar vasos, tenha em conta que para ter plantas deve estudar a exposição ao sol dos pontos onde estas vão permanecer. Em geral os extremos funcionam mal com a maioria das plantas, ou seja, muito sol ou muita sombra prejudicam o desenvolvimento harmonioso dos vegetais, quando não matam por completo algumas espécies.

Se só tiver janelas viradas a norte ou a sul, deve escolher plantas muito resistentes, daquelas que necessitam de pouca luz e que suportam algum vento. Se pelo contrário os locais onde as plantas ficam expostas forem orientados para oeste (onde o sol se põe) ou para  este (onde o sol bate só pela manhã), então escolha plantas que suportem bem a luz.

Entre estes dois extremos ficam os locais mais adequados, onde o sol bate durante umas horas, de preferência da parte da manhã quando ainda não está muito forte ou ao fim da tarde quando já há alguma frescura.
Também nas varandas de Guimarães há Prímulas

 
Prepare então bem o solo onde vai proceder à plantação: um pouco de terra do tipo universal, um pouco de adubo orgânico (compra-se em pacote) e areia de construção (sem sal). A mistura destes três ingredientes, em proporções variáveis segundo o que se vai plantar, pode ser substituída por substrato próprio para floreiras de janela ou terra para vasos. É uma solução mais simples.

Mas escolha bem, pois deste aspeto pode depender o sucesso das suas plantas na próxima estação e o consequente desperdício ou não do respectivo investimento. Se fizer tudo bem no primeiro ano, verá que nos seguintes quase basta limpar as folhas secas e juntar um pouco de adubo no momento próprio.

Os vasos ou os canteiros têm obrigatoriamente de ter uma saída para a água em excesso. No fundo e antes de deitar a terra, para permitir que a água escoe bem e que as raízes não fiquem mergulhadas em humidade por muito tempo, ponha pedrisco ou tijolo partido pequeno.

Flores-de-cera numa vedação em Lisboa
Escolha de preferência plantas da mesma família para organizar um canteiro ou colocar em vasos que estejam lado a lado. O efeito é multiplicador, melhor do que se alternar plantas com diferentes feitios e cores, sobretudo se tiver apenas um exemplar de cada e cada um tiver altura diferente da do outro. Perde-se a noção de conjunto harmonioso que se ganha quando se vê uma mancha de cor e formato regular.

Depois, plante espécies jovens, com folhas que tenham brotado recentemente, ou  semeie no Outono ou na Primavera, não se esquecendo de regar sempre que a terra pareça seca a 2 cm da superfície. Ao ar livre a terra seca mais depressa e necessita de um pouco mais de água do que a das plantas de interior, a menos que estas se encontrem em ambientes aquecidos artificialmente o que por vezes é fatal!

Fertilize de quinze em quinze dias e regue uma vez por semana sempre no mesmo dia. Mantenha as plantas da varanda debaixo de olho, vigie-as e começará a aprender qual o ritmo com que se desenvolvem e quais as necessidades que apresentam. Este aspecto é muito importante (mas não precisa de falar com elas, basta olhar e ver como estão).

Quando isso acontecer com regularidade, quase como quando respira sem dar por isso, verá que fácil é manter um canteiro ou uma janela, emoldurada com cachos de cores que duram de março a outubro. Que outra capital europeia se pode gabar de tal feito?

maio 29, 2014

FETO (SAMAMBAIA)


Nephrolepis exaltata
Nome comum:
FETO, SAMAMBAIA, FETO DE  BOSTON
Família:
Nephrolepidaceae 

Descrição:
O feto tem folhas frondosas e alongadas com 90 cm de comprimento e cerca de 15 cm de largura, que se apresentam a partir do solo em tufos chamados rizomas. As folhinhas individuais que se distribuem simetricamente de cada lado, ao longo de um veio central, podem chegar a ter 7,5 cm de comprimento e são levemente dentadas nos bordos. Na parte de baixo destas folhinhas existem duas filas paralelas de pintinhas junto aos bordos, onde se alojam os orgãos que contêm os esporos os quais mais tarde darão origem a novas plantas.


Existem muitas variedades de cultivares desta espécie. No Feto de Boston ou simplesmente feto como é conhecido em Portugal, as folhas caem graciosamente para os lados e é também o tipo que melhor suporta todas condições de cultivo incluindo dentro de casa, onde se for bem tratado, vive todo o ano durante muitos anos.

Algumas espécies são nativas do Brasil, onde o feto é muito utilizado em jardins e na decoração de pátios e mesmo de salas, e são conhecidos por Samambaia, tendo em geral um porte maior e mais frondoso.

Origem:
Originário da América do Sul, o feto é muito comum nos climas tropicais húmidos, podendo desenvolver-se livremente na natureza, em florestas húmidas e pantanosas, graças ao efeito do vento que favorece a dispersão dos minúsculos esporos. Nestes ambientes quentes e húmidos, os fetos facilmente se desenvolvem nos troncos de algumas palmeiras. Em Portugal, nomeadamente na mata do Buçaco, existem variedades maravilhosas desta planta desenvolvendo-se em plena natureza.


Cultura:

Luz: Requer sombra parcial, sem luz direta quando em exteriores e luz clara, filtrada, quando dentro de casa.

Humidade: O Feto de Boston gosta do solo húmido (mas não em excesso) e rico em matéria orgânica. Este é tolerante à seca, comportando-se melhor do que qualquer dos cultivares mais conhecidos desta espécie, e embora resista bem, apenas terá condições para se desenvolver de forma plena e viçosa, em condições de suficiente humidade do solo e do ar.

Quando cultivado em recipiente e não no solo, convém colocar pedrisco entre o vaso e o prato onde o mesmo assenta, por forma a manter sempre alguma humidade, evitando porém que o vaso entre em contato com a água para que as raízes não apodreçam. Sempre que a humidade do ar for inferior a 80% (o que em Portugal acontece com frequência), pulverize as folhas do feto mais do que uma vez ao dia e verá que a planta desenvolver-se-á com grande vigor e beleza.

Resistência: Zonas 9 a 11. O Feto de Boston desaparece quando sujeito a muito frio e geada, mas reaparece na primavera a partir das raízes anteriores. Contudo, não suporta falta de água e pode secar completamente se não chover ou se a rega for esquecida. Se notar que as folhas começam a cair é sinal de que a planta precisa de mais água, toque o solo com a ponta dos dedos e sempre que este estiver seco, regue. Caso os veios centrais das folhas fiquem nus e secos, corte-os entre duas unhas, para que o aspeto geral fique mais apresentável e também para dar mais corpo a toda a planta, que sem isso ficará com um aspecto um tanto ou quanto "desgrenhado" 

Propagação: Propaga-se por divisão das raízes, ou ainda, embora mais dificilmente, por meio dos esporos, e neste caso, nas variedades cultivares o resultado não dará plantas iguais à planta mãe. 

Aplicações:

Em exteriores os fetos podem ser utilizados como cobertura ou revestimento de canteiros, por baixo de árvores frondosas ou de arbustos que providenciem sombra, em geral em locais onde a pouca luminosidade não favorece as plantas mais baixas.

Em condições favoráveis, desenvolvem-se através de raízes que se espalham subterraneamente e despontam aqui e ali, sem exigir grandes cuidados. Dentro de casa, tanto a espécie como os inúmeros cultivares que existem podem ser plantados em recipientes adequados para ser pendurados ou colocados em cima de um pedestal, pois as folhas que caiem à volta do vaso proporcionam um efeito decorativo fresco e muito atrativo.

Por essa razão, dão-se também muito bem em casas de banho ou nas cozinhas desde haja humidade no ambiente. Em última análise, um borrifador à mão pode, como referimos antes, fazer milagres.  

Características:
O Feto de Boston é sem dúvida uma planta muito resistente e própria para jardineiros principiantes que queiram desenvolver as suas aptidões sem que no entanto possuam grandes conhecimentos. Tem a vantagem de poderem ser plantados dentro ou fora de  casa, já que a vida urbana não nos permite muitas vezes ter uma varanda, para já não falar de um jardim.
 
Proporcionam um efeito espetacular no parapeito de uma janela onde haja luminosidade, e isto tanto para o exterior como para o interior da sala onde estiverem colocados. Também se adaptam bem no topo de uma escadaria, ou num balcão, são plantas muito vistosas quando se desenvolvem bem. No meio de um arranjo com outras plantas (prímulas, calêndulas, cíclames ou jacintos) ficam muito atrativas.
 

Em todas as casas onde vivi, isto em diferentes cidades, houve sempre um feto ou uma samambaia para alegrar o ambiente, mesmo quando isso aconteceu à beira de um deserto (como nesta foto de Telavive). Lá está, mas sempre com um borrifador à mão para aspergir as folhas praticamente todos os dias...

 

maio 08, 2014

LANTANA

(Lantana camara)

Família: Verbenaceae (família da verbena)
Nome Comum: Lantana, Verbena
Outras Variedades: Lantana Montevidenses

Descrição:
Arbusto resistente dos trópicos, a Lantana é perene e pode crescer até 1,5 m de altura e por vezes ter 1,20 m de diâmetro; as hastes e as folhas estão cobertas com pelos e é ligeiramente áspera ao toque. Cheira a urina de gato e é conhecida por isso mesmo. Facilmente se naturaliza e como tal pode ser invasora, sendo necessário controlá-la. O aspecto mais positivo é que, para além de atrair borboletas, dá flor em regra desde a Primavera até ao Outono.

Origem:
Nativa das Caraíbas, está naturalizada em praticamente todo o mundo.

Cultura:
Em solos muito ricos dá menos flores e mais folhagem, sobretudo nas plantas mais jovens, por esta razão não deve ser fertilizada com muita frequência. Quando plantada em jardins, pode enterrar-se o vaso onde a Lantana cresceu inicialmente para controlar melhor a qualidade do solo, evitar a excessiva implantação e não prejudicar as outras espécies de plantas próximas que podem exigir um solo mais rico do que o que a Lantana necessita.

Luz: Muito sol ou sombra parcial.
 
Humidade: Requer solos bem drenados e é resistente à seca. Demasiada água e demasiado fertilizante reduzem a quantidade de flores, aumentando a folhagem.
Resistência: Zonas 8-11. Dá-se bem com temperaturas elevadas, em climas secos mas também  floresce nos climas húmidos. Pode desaparecer no Inverno com temperaturas mais baixas ou com geada, mas quase sempre volta a renascer na Primavera.

Propagação: Por sementes (mais difícil) ou por estacas obtidas durante o tempo quente. Escolhe-se uma ponta sã, tenra e verdejante que se corta, limpam-se as folhas dos primeiros dois terços da estaca a contar do fim, mergulha-se o pé bem limpo em hormonas fertilizantes, sopra-se para retirar o excesso e planta-se em solo bem drenado. Existem diversos híbridos e variedades de Lantana, sendo a mais vulgar a Lantana Festival, que produz maior quantidade de flores e tem menor tendência para se naturalizar em zonas sub-tropicais.

Fertilização: Não requer mais do que fertilização uma vez de mês a mês e pode ser aplicado o fertilizante universal 10-10-10 (N-P-K).

Aplicações:
Em sebes e tapetes coloridos misturados. Também se usa para ajudar a colorir zonas com arbustos vários, e em regiões mais frias como uma planta anual. Tolera salpicos de água salgada e por essa razão pode ser utilizada em jardins junto ao mar, onde por vezes é difícil manter vegetação devido às brisas salgadas. Fica bem em vasos, floreiras ou canteiros.

Características:
Planta de baixa manutenção, a Lantana não requer praticamente cuidado algum. Pode ser podada em arbusto redondo ou em forma de uma pequena árvore, se lhe forem retirados os ramos inferiores laterais, à medida que cresce. Se se pretender mais folhagem e menos flor, enquanto adquire a forma definitiva, rega-se e aduba-se com maior frequência do que a necessária habitualmente. Atrai borboletas.

Atenção: A Lantana não deve ser ingerida por animais ou crianças, embora os frutos que produz sejam semelhantes a pequenas bagas ligeiramente adocicadas e por essa razão se possam revelar atraentes.

maio 07, 2014

PLANTA DAS FITAS

(Carex oshimensis 'Evergold')

Nome comum: Planta Aranha, Planta das Fitas, Oshima “espargânio”
Família: Cyperaceae


Planta das Fitas
Descrição:
Esta planta perene possui folhas compridas, espalmadas e finas, semelhantes a ervas alongadas e tem listas amarelas a todo o comprimento. Cresce a partir de um centro muito denso em forma de repuxo e pode ocupar 25 a 51 cm de largura, ramificando-se lentamente através de rizomas subterrâneos.

As folhas da carex oshimensis são estreitas (0,6 cm) e podem atingir 25 a 38 cm de comprimento, curvando-se elegantemente desde o meio para os lados, formando um pitoresco ninho. Esta espécie “evergold” tem as folhas raiadas de amarelo no centro com uma margem verde escura, lançando flores na primavera, a partir do extremo de um caule amarelo fino ou haste, que se bifurca em vários outros caules triangulares, onde nascem folhas e flores brancas muito decorativas dispostas em jarra.
Junto ao relvado
Localização:
A origem desta planta é o Japão, daí ser também conhecida por Oshima japonesa sendo nativa da ilha de Honshu, onde surge em florestas e encostas pouco húmidas. As espécies ornamentais entretanto desenvolvidas – ou cultivares – foram selecionadas por jardineiros japoneses e encontram-se em muitos jardins do mundo inteiro e naturalmente, em Portugal também em grande quantidade.


Cultura:
Luz: a Oshima gosta de um local com meio sol ou sombra leve, o que permite que os seus tons de verde e amarelo contrastem melhor. Em climas quentes podem crescer mais altas e delgadas do que o habitual.

Humidade: dão-se melhor em solos húmidos desde que com boa drenagem, de forma a não permitir a acumulação de água e o apodrecimento das raízes.

No forno do pão, vasos com Oxima
Resistência: Zonas 5 – 9. Em locais muito quentes a planta “queima-se” nas pontas das folhas com facilidade.

Propagação: a partir dos rizomas da base, separam-se em várias mudas no fim do inverno ou princípio da primavera, distanciando-as no terreno umas das outras, pois em breve ocuparão três vezes mais espaço do que o inicial. Aconselha-se a espaçá-las umas das outras uns 40 a 50 cm. Os rizomas (raízes com aspeto de cabelos finos e delicados) têm no meio uma espécie de bolha comprida e transparente, que faz parte do sistema de propagação.

Podem também ser multiplicadas a partir de novos tufos de folhas que se criam no fim de cada haste, tendo o cuidado de deixar um pouco das raízes juntamente com a nova planta e de regá-la cuidadosamente nos primeiros tempos para se agarrarem melhor ao solo. Aliás quando não se cortam estas hastes e se deixam as plantinhas na ponta tocar o solo, estas podem enraizar facilmente no local onde se encontram o que aconselha um constante acompanhamento deste processo, pois obrigarão o jardineiro que não pretenda ter estas plantas por todo o jardim, a eliminar de quando em quando alguns destes filhotes da planta primitiva.

Planta das Fitas ou Planta Aranha
Utilização:
O aspeto elegante desta planta, que se desenvolve rapidamente para os lados em forma de chuveiro, torna-a muito adaptada a sebes baixas ou em bordas de canteiros informais, junto a relvados por exemplo. Também se podem utilizar no meio de sebes verdes com outras plantas altas por detrás, para contraste de cor pela variedade das folhas verdes e amarelas. Num canteiro onde não se queira plantar flores mas se pretenda ter o solo limpo e ocupado, pode ser usada como cobertura de solo. Pode também ser pendurada num recipiente, com a folhagem dourada a cair para todos os lados, onde ocupará rapidamente o espaço à sua volta causando um efeito muito interessante.
 
Estas plantas quando cuidadas devidamente, garantem um aspeto sempre novo ao seu jardim. Porém, se deixadas crescer sem manutenção adequada, tanto em vasos como no solo, facilmente terão um aspeto descuidado e pouco atrativo.

março 03, 2014

PLANTAS EM CASA

Na Loja Lindas e em Casa Tristes?

Hoje escrevo para aqueles que têm um pequeno apartamento de cidade e apesar disso não podem viver sem flores em casa. A vida já é tão difícil, porque não arranjar mais um pouco de trabalho?

Primeiro cuidado a ter, quando comprar prefira plantas com pequenas folhas a despontar em vez dos vasos carregados de flores que murcharão no curto prazo e deixarão de ter o “appeal ” que mostravam na loja: verá que se cuidar bem da sua nova aquisição, ela lhe fará companhia por muito mais tempo.

Não é tão imediatamente compensador mas no médio prazo sentimos estas plantas que se formam a partir dos nossos cuidados como nossas filhas, muito mais do que como “bibelots” caros e mal agradecidos.

Se seguiu este conselho e comprou uma plantinha sã (espreite por baixo das folhas e junto ao caule e escrutine bichinhos ou poeiras suspeitas), a primeira coisa a fazer é estudar o meio onde vem plantada, que pode ser tudo menos o meio adequado ao seu desenvolvimento. Acreditem, há pessoas capazes de tudo para vender.

Assim sendo, aprenderá a reconhecer que cada planta tem necessidades específicas que começam pelo solo de onde retiram o alimento quotidiano. Em geral um bom conselho é ter um vaso com a mesma altura da planta, embora algumas plantas gostem de ter as raízes apertadas e em pouco espaço. E o substrato deve em geral ter três componentes: terra normal para plantas, algum meio arenoso ou semelhante que permita drenar bem e alguma matéria orgânica para enriquecer o conjunto. Verifique qual a composição na etiqueta da embalagem.

Esta é uma regra perfeitamente válida: terra normal, areia e matéria orgãnica. Mas atenção, cada caso é um caso e por exemplo os cactos necessitam de uma mistura com pouca matéria orgânica e mais areia que impede o solo de ficar excessivamente húmido e assim apodrecer as raízes e um frangipani tropical exigirá muito um solo constantemente fertilizado e muita, muita água e principalmente sol.

Sol. Este é o segundo elemento fundamental depois de termos cuidado do tipo de solo. A luz natural é o instrumento que permite ou não o desenvolvimento adequado do seu novo “animal de estimação”, ou seja, terá que determinar qual das suas janelas está virada a norte e aí muito poucas plantas resistirão, sobretudo durante o inverno;  e também qual a que está mais exposta ao sol porque nela certamente só consegue fazer vingar cactos e pouco mais.

Alguém disse que no meio termo é que está a virtude? Pois bem, isto também se aplica às plantas. Coloque-as num local arejado, sem correntes de ar e que seja luminoso, sem ser à chapa do sol onde cozinhariam em fogo lento. Mais luz que sol, é o segredo. Com luz a mais ficam muito verdes, com luz a menos ficam um pouco mais pálidas.

Depois do solo e do sol o mais importante é o alimento. Como regra, fertilize com moderação, todos os quinze dias por exemplo, excepto no inverno quando não fertiliza nada ou fertiliza uma vez por mês no máximo.  Com o tempo vai habituar-se a olhar para as suas plantas e a reconhecer quando é que estão precisadas da sua atenção.


Que tipo de fertilizante perguntará você? Em geral encontra já tudo bem explicado nas embalagens, mas pode ficar com esta ideia geral: todos os fertilizantes tem no mínimo três componentes. Um é o azoto que alimenta as partes verdes; o fósforo que alimenta as raízes e finalmente o potássio que permite ter mais flores e frutos. Simples, não é? Bom, está simplificado, mas fiquemos por aqui. É claro que a maior parte dos produtos que encontramos à venda tem tudo isto e muito mais, mas isto é o fundamental para se saber nesta fase.

Finalmente, mas não menos importante: as regas. Que fazer quando a planta murcha? Regar muito, pouco ou nada? Primeira coisa a fazer: nunca regar por forma a que água saia pela base do vaso e fique no prato por mais de três quartos de hora. Como em tudo há excepções, mas em termos gerais, mais vale água a menos do que água a mais.

Segunda regra: a planta precisa de água quando a superfície do solo está seca. Se a terra está a despegar-se dos lados do vaso, a planta deve estar sequiosa. Nunca, mas nunca a deixe chegar a esse ponto. As plantas não merecem tanto desleixo e para além disso, mais vale deitar o seu dinheiro directamente no caixote do lixo que o resultado é o mesmo.
Tenha um pouco de atenção de quando em quando, se possível à mesma hora do mesmo dia da semana. Domingo de manhã é uma boa altura, mas se tiver mais tempo à noite também está bem.  De princípio regue só um pouquinho, aprenderá com o tempo  a avaliar qual a quantidade adequada, sobretudo se ao tocar com o dedo no solo verificar que este não está completamente seco desde que o regou na última semana.

Em jeito de post scriptum: nunca misture plantas compradas num viveiro que não seja da sua extrema confiança, com outras que tenha já em casa e que estejam de boa saúde. Coloque as recém- chegadas num local à parte durante uns dias, para evitar eventuais contágios...

fevereiro 25, 2014

CÍCLAMES (em canteiros)

Top of FormBottom of FormComo cuidar de um ciclaameCCComo cuidar de um Cíclame
A planta Cíclame própria do tempo frio, resiste de forma magnífica em locais sombrios onde outras plantas não conseguem sobreviver. Mas é necessário conhecer um ou dois segredos que farão com que os seus Cíclames cresçam e floresçam no jardim ou dentro de casa, de forma continuada e sem grandes preocupações. É mesmo uma planta fácil de manter, embora quase toda a gente deite o vaso fora no fim da estação, o que é no mínimo um desperdício de dinheiro, convenhamos!
Cíclame em plena floração
Variedades de Cíclames

Há Cíclames que se adaptam bem em canteiros de jardins, como os neopolitanum, e outros que se dão melhor dentro de casa, sobretudo se o clima exterior for muito frio. As regras para cuidar destes dois tipos de Cíclame são porém as mesmas, que passamos a detalhar. O Cíclame do tipo neopolitanum ou Cíclame cuja folha tem a forma de um coração, floresce no outono, reproduz-se continuadamente de ano para ano e por essa razão pode ficar no solo sem que seja necessário interferir na sua reprodução, para além de alguns cuidados que adiante referiremos. Os Cíclames multiplicam-se muito rapidamente e podem ser criados dentro de casa também, em recipiente adequado e neste caso, haverá que separar as plantas no fim da estação.

Como separar Cíclames para propagar novas plantas

Como referido, é possível deixar a planta no jardim e ela multiplicar-se-á durante anos com muita facilidade alargando a sua base, bastando para isso eliminar regularmente as flores e folhas que vão murchando. Quando a planta já está suficientemente grande, com uma pá bem limpa, corta-se pelo meio o ajuntamento das folhas, de cima para baixo, até separar a base em duas plantas distintas. É necessário fazê-lo com o maior cuidado para não danificar demasiado a planta original, separe abanando ligeiramente enquanto aprofunda o corte, para que as raízes se vão separando sem danos demasiados.

Cíclame neopolitanum
Cíclames em Lisboa, na Avª. da Liberdade
Nas zonas mais temperadas é possível deixar qualquer tipo de Cíclame no jardim, durante todo o ano, se bem que durante parte substancial do tempo eles desapareçam da vista sem dar sinal de vida. Continuam porém a desenvolver-se a partir do bolbo/tubérculo[1] que se encontra enterrado, nutrindo-o e preparando-o para a próxima estação. Se preferir, pode trazer a planta para dentro de casa num vaso, sobretudo nas regiões onde há mais frio e geada, e mantê-lo com folhas todo o ano, cuidando da planta como se de uma perene se tratasse. Nesse meio tempo o bolbo dividir-se-á em bolbos mais pequenos e cada um desses bolbos prepara-se para dar folhas e mais flores no tempo próprio, ou seja no outono e início do inverno. Desde que exista uma folha a brotar de um bolbo, este continuará a crescer e a multiplicar-se. Tratados desta maneira torna-se muito fácil criar e desenvolver várias plantas de Cíclame, no jardim ou dentro de casa.

Se a planta estiver num vaso independentemente do local, há que manter o solo mais para o seco do que húmido. Uma regra muito útil é esperar que o solo seque um pouco à superfície antes de regar de novo. Retire as folhas velhas e amareladas, corte-as logo que vê que a planta está a preparar-se para um período de descanso, mas enquanto as folhas tiverem bom aspeto e estiverem verdes, com novos brotos a rebentar com facilidade, mantenha-a perto da luz, e continue a aplicar os cuidados próprios de uma planta a desenvolver-se. Nunca é de mais lembrar que o Cíclame prefere a sombra ao sol direto, mesmo que se encontre por detrás do vidro de uma janela.


Cíclames em canteiro - Lisboa, Avª. da Liberdade
Em jardins onde existam árvores podem plantar-se Ciclames junto aos troncos das mesmas, desde que penetre alguma luz por meio dos ramos. São plantas que se encontram normalmente na natureza, nas florestas mais antigas, sobretudo o Ciclame mais pequeno, e fica muito bonito ver crescer primeiro as flores em forma de borboleta, nas cores maravilhosas próprias desta espécie e mais tarde as folhinhas escuras, junto dos caminhos ou na base dos troncos de árvores. O maior cuidado com estas plantas é dar a sombra e o descanso de que necessitam durante o tempo mais quente e ir tirando as folhas que vão secando e as flores à medida que vão murchando. Pouco mais pedem...

[1] Não se trata de um verdadeiro bolbo, é mais parecido com um tubérculo que passaremos a designar por bolbo, daqui em diante, por facilidade de expressão;

fevereiro 21, 2014

BOLBOS (Tulipas, Jacintos, Amarílis, Scilas, etc...)


É Fácil Cultivar BOLBOS!
Desde que se respeitem algumas regras básicas, é fácil cultivar bolbos! Para além do colorido e da variedade das espécies disponíveis que dão grande vivacidade a um jardim, alguns bolbos podem inclusive ser plantados em vasos ou em contentores e, obedecendo a algumas regras essenciais, chegam a florir dentro de casa.

Lírio
Para além de água, um bolbo não necessita de mais cuidados! Quando é de boa qualidade o bolbo contem dentro de si um mecanismo altamente desenvolvido de armazenagem de alimentos que, quando plantado no solo, o torna praticamente independente de tudo excepto de água.
Mesmo após um período longo de dormência, sujeito à seca, à geada ou ao calor intenso, na Primavera um bolbo volta à vida e frequentemente repete o seu ciclo vegetal, ano após ano. Os bolbos podem ainda ser utilizados ao longo de todo o ano, dependendo do tipo de bolbo, o que permite manter um jardim constantemente florido.
Tipos de Bolbos e Época para a Plantação
Existem três tipos de bolbos, consoante a época em que dão flor: Bolbos de Primavera, de Verão e de Outono. Alguns são bem conhecidos de toda a gente, mas conhecer melhor o respectivo ciclo de vida permite-nos planear e organizar com maior eficiência  o seu cultivo e duração. 
Em Portugal, os bolbos de Primavera mais populares são as Túlipas, os Narcisos, os Jacintos, os Crocus e os Alliums. Também os Amarílis e os Íris. Em comum, todos têm o facto de necessitarem de um período de frio debaixo do solo para que o relógio biológico inicie a contagem decrescente. Por esta razão plantam-se no fim do Outono ou no início do Inverno, após terem permanecido uns dias guardados no frigorífico e passam todo o Inverno sem dar sinal de vida. Quanto mais frio for o Inverno melhor para este tipo de bolbos. Em zonas de geada deve tapar-se o solo acima do bolbo com alguma proteção do tipo caruma, folhas secas, casca de pinheiro, etc.
Amarílis
Os bolbos de Verão em Portugal são as Dálias, as Begónias, os Lírios, os Gladíolos e os Jarros. Plantam-se no fim da Primavera e dão flor alguns meses depois. Dão-se bem em geral em todo o tipo de climas, mas como são pouco resistentes às geadas e aos Invernos frios, nas regiões onde as temperaturas são mais baixas, tiram-se do jardim e guardam-se. Depois da floração, espera-se até a folhagem ficar toda amarela, altura em que o bolbo armazena o alimento e só depois se cortam as folhas rentes ao solo. Tira-se o bolbo do chão e guarda-se num local fresco e seco, entre palha ou caruma, para voltar a ser enterrado na próxima estação.
O bolbo de Outono mais conhecido é o Crocus e planta-se no Verão. Quando todas as plantas de flor iniciam o seu repouso, este bolbo enche-se de cor dando vida ao jardim.
Como Comprar?
Para além de ser indispensável respeitar o período indicado acima para plantar os bolbos, há ainda que conhecer a época em que devem ser comprados, para que não percam qualidades. Assim, os bolbos de Primavera devem ser comprados em Setembro, os de Verão compram-se no fim de Março e os de Outono compram-se no início do Verão. As grandes superfícies de do-it-yourself em Portugal começam a vender em regra por volta de setembro/outubro, mas atenção ao que vai comprar. leia sempre no verso da embalagem qual a melhor altura para plantar, não guarde o bolbo em casa mais do que um ou dois meses e cumpra com as instruções indicadas.
Que Fazer Depois da Floração?
A maior parte dos bolbos naturalizam-se e tornam-se plantas perenes, voltando a florir durante anos seguidos no mesmo local. Para que isso aconteça, as folhas devem cumprir o processo completo de fotossíntese e outros, que se destinam a armazenar o alimento necessário para que o bolbo se regenere. Durante este processo nascerão novos pequenos bolbos embrionários junto do original. É um processo que ocorre durante as semanas que se seguem  ao desaparecimento da flor.
Esta a razão porque as folhas não devem ser cortadas cedo demais e mesmo depois de terem desaparecido os bolbos que ficam no chão continuam o seu processo de recuperação para o próximo ciclo e não devem ser perturbados. Antes de os cobrir com terra, ponha uma rede de galinheiro que evitará danos involuntários ou os ataques de pequenos animais. Se necessário marque com uma etiqueta o local do bolbo, porque não vai ter sinal dele durante uma temporada longa.
Narciso
Existe um relógio biológico que permite aos bolbos despertar todos os anos para um novo ciclo, criando raízes, rebentos e folhas, dando flor e morrendo para entrar em dormência novamente. No caso do bolbo de Primavera, logo que é plantado no Outono inicia o processo de desenvolvimento embrionário das folhas e das flores, desenvolvendo rapidamente raízes e um caule, que cresce até ficar abaixo da superfície do solo, altura em que pára de crescer por um tempo à medida que a temperatura exterior desce. Quando a temperatura volta a subir, retoma o processo de desenvolvimento, rompe a superfície do solo, dá flor por um período de tempo relativamente curto e volta a morrer e a entrar em dormência.
Alguns bolbos conseguem armazenar nutrientes suficientes para alimentar não só a planta mas também a flor e as folhas durante todo o ciclo e por esta razão, alguns bolbos desenvolvem-se fora do solo, mesmo quando não foram convenientemente plantados na época própria. São quase auto suficientes.
Como Forçar um Bolbo para que dê Flor
Do mesmo modo, se plantar por exemplo bolbos de Narcisos numa taça com água e alguns seixos, desenvolver-se-ão e darão flor, mas dado que o meio não lhes permite reconstituir o stock de nutrientes, não darão flor na época seguinte. Podem até nem voltar a florir.
 
Jacinto
Os Jacintos são extraordinariamente aromáticos, podendo o perfume causar mau estar a algumas pessoas. Podem ser cultivados dentro de casa, em vasos baixos e largos, com uma mistura de terra e areia suficiente para desenvolverem raízes, produzindo um efeito muito decorativo em cima de uma mesa. Pode ainda ser aplicada uma técnica para forçar a floração do Jacinto, cujo inconveniente é impedir que a planta volte a florir tão cedo.

Scilla
Coloque o bolbo num jarro pequeno com um gargalo estreito por forma a que o bolbo fique com a terça parte inferior dentro de água. Tape-o com um cartuxo de papel pardo ou outro semelhante e deixe ficar guardado dentro de um armário num sítio escuro e protegido até Janeiro. Periodicamente tire o cartuxo e acrescente um pouco de água morna tendo cuidado para não perturbar as raízes nem molhar excessivamente o bolbo.
Verificará que as raízes romperão por volta da 4ª. ou 5ª. semana e que o caule ou “borboto” que lhe dará origem nascerá uns 15 dias depois, sensivelmente. Quando o caule atingir os 6 cm tire o cartuxo e uma semana depois traga o bolbo para a luz, onde as folhas se desenvolverão. Se tudo correr bem, em breve terá um magnífico “cacho” de lindas flores coloridas e cheias de perfume durante uns dez dias.

Este bolbo não voltará porém a florir tão cedo, dado que foi forçado desta maneira.

21-02-2014