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dezembro 02, 2014

RELVADOS


Preparar o relvado para os meses de Inverno 


Perto do final do Outono é necessário preparar o seu relvado para os meses de Inverno que se aproximam, durante os quais as plantas em geral entram num período de descanso e de quase hibernação.

Também os relvados, sobretudo nas regiões onde vigoram as quatro estações, reagem às temperaturas mais frescas. Regra geral em Portugal continental isto acontece em meados do mês de Novembro e no final do Outono, altura em que as plantas iniciam um período de dormência, durante o qual não se verifica o crescimento das folhas, período que se prolonga praticamente, dependendo da região, até aos primeiros “calores” de Abril.
 
É o período em que se dá descanso também à máquina de cortar relva. Mas para que o relvado suporte os rigores das temperaturas mais baixas e se recomponha do esforço a que se sujeitou no Verão, de molde a recuperar da melhor forma o viço dos primeiros meses na Primavera seguinte, torna-se aconselhável prepará-lo para o Inverno.
Todos os tipos de relvado reagem bem a uma fertilização especial no Outono, uma vez que dela resultam várias vantagens. Em primeiro lugar, a fertilização fortalece as raízes das plantas de relva, tornando-as mais resistentes. Se durante o Outono as raízes armazenarem os nutrientes adequados para a próxima estação, o que acontece com quase todas as plantas do tipo ervas – tal como a relva – e ainda as plantas perenes em geral, estarão melhor preparadas para o período de crescimento activo. Exceptua-se a este tratamento a relva forrageira do tipo azevém (ryegrass).

Quando uma planta como a do relvado armazena energia, o nutriente mais importante nesse processo é o Fósforo (simbolo químico P), o qual tem um papel fundamental no armazenamento e na transferência de energia da planta para a raiz. Ora este processo desenvolve-se exactamente durante os meses de Outono, razão pela qual o Fósforo administrado nessa altura incentiva o crescimento das raízes e contribui para que a relva resista melhor às doenças, ao frio e à seca e ao calor, no Verão seguinte.

Um bom fertilizante de Outono também deve ter uma quantidade adequada de nitrogénio (N) ou azoto, o elemento chave para a cor verde das plantas em geral e em particular para a dos relvados, que consomem elevadas quantidades de nitrogénio, em comparação com os outros ingredientes que regra geral fazem parte de um fertilizante. Uma quantidade insuficiente de nitrogénio contribui para o aparecimento de ervas daninhas, de doenças e de fungos próprios da relva, que por sua vez têm tendência para se agravar durante os meses de Inverno, tornando o trabalho da manutenção do relvado na Primavera um verdadeiro quebra cabeças (sobretudo para quem não gosta muito de utilizar herbicidas e químicos …).
 
Contudo - e este aspecto é muito importante - dado que o crescimento das plantas se processa mais devagar a partir do momento em que as temperaturas do solo baixam, há que ter em atenção a quantidade adequada de nitrogénio que deve ser administrado, para não induzir a planta num crescimento forçado e fora da estação própria, o que a prejudicaria mais do que beneficiaria.

Finalmente, uma dose saudável de Potássio (K) permite proteger o relvado durante o Inverno dado que promove a tolerância ao frio e ao tráfico continuado de pessoas, o que pode ser importante durante as estações mais quentes sobretudo nos locais onde houver crianças a utilizá-lo.

Por todas estas razões, a fertilização adequada do relvado no final do Outono é altamente vantajosa para a saúde do mesmo e prepara-o para o crescimento em melhores condições na Primavera seguinte.

Caso o seu relvado seja invadido por ervas daninhas com frequência, lembre-se que quanto mais saudável for a sua relva menos oportunidade existe para que vinguem outras espécies, pois a relva desenvolve um sistema de raízes forte de tal modo que não permite o crescimento nela de mais nenhum outro concorrente, sobretudo se a outra planta tiver raízes menos profundas, como é o caso em geral das ervas daninhas. O Outono é a altura ideal para se ver livre delas. Não se esqueça porém que o melhor remédio para que não proliferem é retirá-las à mão, com um pequeno sacho, à medida que começam a aparecer e antes que invadam uma grande área do relvado.
 


Mas é no Outono que se estabelecem as melhores condições para o seu crescimento activo, quer porque o desenvolvimento das raízes da relva se reduz, quer porque as condições atmosféricas são as melhores para o crescimento das suas raízes. Por essa razão é nesta altura que se devem tomar precauções especiais, quer fertilizando o relvado, quer arrancando as ervas invasoras, quer aplicando um herbicida sistémico que seja legal, nunca glifosato pois foi proibido recentemente.

Lembre-se de que ao travar o crescimento das ervas daninhas no seu relvado no Outono, terá menos trabalho na próxima Primavera. Embora sejam aconselhados também outros procedimentos neste período, tais como arejar e picar o relvado para evitar a compressão da superfície do solo e permitir uma melhor irrigação, factor importantíssimo para a saúde de um relvado, a eliminação das ervas daninhas é um factor fundamental para o bom aspecto e a saúde da relva. Verá que é um trabalho que compensa.

Finalmente lembre-se que os fertilizantes para relvados têm uma composição NPK onde o P deve ser o elemento mais elevado. Verifique sempre a proporção na embalagem. Não utilize um fertilizante com um elevado teor de N, porque embora a torne mais verde e bonita, exigirá da sua relva um esforço desnecessário que a prazo a tornará menos viçosa. Leia a ficha técnica geral sobre como cuidar da sua relva, a publicar em breve.

CUIDAR DE PLANTAS NO INVERNO

Tropicais, dentro de casa…

Muitas das casas portuguesas têm sol e luz ao longo de todo o inverno. Isso é o suficiente para manter a maior parte das plantas felizes em vasos, dentro de cachepots cerâmicos adequados. Mas há também plantas tropicais que não desdenham passar uma temporada entre paredes, quando na rua chove e faz frio e o sol quase não se vê, para voltar à varanda ou à floreira da janela, logo que chegue a primavera. Como?
Não necessita de uma estufa nem de qualquer local especial. O essencial é mesmo dispor de um pequeno espaço (marquise ou quarto de arrumos) juntando aí num mesmo local todos os vasos com as plantas que quer preservar durante o inverno. São plantas de exterior, mas você pode  dar-lhes o ambiente de que necessitam para as manter vivas e saudáveis até Abril ou Maio próximos. Isto aplica-se a plantas como os Hibiscos, Buganvílias, Estrelícias, Antúrios, algumas espécies de Orquídeas e quaisquer outras tropicais e até não tropicais.
Junte os vasos no chão uns ao lado dos outros por cima de pedaço de passadeira plástica e com os respectivos pratos. Também pode usar um pequeno estrado de madeira que facilitará a limpeza do espaço, sempre aconselhável. Numa área de 75 cm por 1,5 m vai necessitar de duas lâmpadas fluorescentes (ou uma dupla) de 1,20 m e de uma ficha com temporizador. O investimento inicial pode significar qualquer coisa como 25 euros, mas se você comprou estas plantas, como regra geral é o caso - ou apenas se gosta delas - valerá a pena preservá-las porque também custaram dinheiro.
Pendure a lâmpada numa armação própria por cima das plantas a cerca de 50 cm e mantenha o sistema ligado, através do temporizador, durante 10 a 16 horas por dia, dependendo das plantas que tem e da luz natural do local. O consumo pode ser baixo se o sistema estiver bem montado e as lâmpadas forem as adequadas. Há muita escolha no mercado.
Coloque no centro os vasos mais altos e os que necessitam de mais luz e nas bordas aqueles que se satisfazem com menos. Se mantiver os cuidados habituais de rega e pouca fertilização aconselhável no inverno, que é tempo de repouso apesar de tudo, terá plantas verdes e bonitas na próxima Primavera. Atenção, não aplique esta receita às plantas de interior, a menos que a sua casa seja extremamente sombria no inverno. Funciona excepcionalmente bem com plantas tropicais que são em regra as mais caras de todas.
Quando chegar a altura, faça um regime de transição para o exterior, suave e sem mudanças bruscas. Comece por reduzir a luminosidade a apenas uma das lâmpadas e posteriormente, por retirar completamente a luz artificial. Ao fim de duas a três semanas coloque as plantas no seu local primitivo, mas evitando a luz directa do sol que poderá queimar as mais sensíveis.
Fertilize e regue regularmente apenas a partir da segunda semana no exterior. Se a planta for grande, raspe uns 5 cms da parte superior do solo do vaso e substitua com terra nova. Depois  acrescente um fertilizante de libertação lenta, como por exemplo Osmocote.

Só excecionalmente será necessário substituir toda a terra do vaso e se o fizer será um pouco antes do fim do Inverno, reduzindo a luminosidade para forçar a planta a entrar em descanso e não ser tão “incomodada” quando mudar de habitat. Nesta mesma altura pode também regar com uma solução de fertilizante diluído do tipo 20-20-20 e aplicar fertilizante líquido (bastante diluído) nas folhas com um pano.

Boa sorte com as suas plantas e viva a primavera!