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setembro 23, 2014

VIOLETA AFRICANA (Saintpaulia)



Violeta Africana (Saintpaulia)
Nome Comum: violeta do Japão, Violeta
Familia: Gesneriaceae
 
Descrição:
Pequena planta de folhas aveludadas com formato de coração, agrupadas em torno de um centro do qual nascem caules curtos, verticais e tenros, de onde nascem as flores. De cores variadas (azul, rosa, branca, púrpura ou vermelha), as flores da Violeta Africana podem durar todo o ano, desde que a planta esteja numa localização que tenha as condições ideais abaixo indicadas. As flores têm 5 pétalas podendo ser dobradas, multicoloridas, frisadas ou com mais de uma cor na mesma planta, ou ainda com pétalas sobrepostas.

Origem:
A Violeta Africana – da qual existem entre 6 a 20 espécies – é nativa de um pequena região montanhosa da Tânzania, ao longo dos vales húmidos tropicais daquele país da costa oriental da África situado a norte de Moçambique, junto a terrenos rochosos ou sob árvores.
 
Cultura:
As Violetas Africanas são certamente das plantas domesticamente mais utilizadas em todo o mundo, sobretudo devido à beleza das flores e ao contraste com o verde escuro das folhas. Porém, por mais atraentes que sejam têm também truques para se obter um melhor resultado.

Luz:
É um dos segredos que leva a maximizar o tempo de floração desta planta: para se conseguir flores durante praticamente todo o ano, a Violeta Africana sendo originária de uma zona perto do Equador onde praticamente não há estações e os dias dividem-se em 12 horas com sol e 12 horas sem sol, precisa de um mínimo diário de 12 horas de luz solar indireta, nunca debaixo de raios fortes. Se tiver 14 horas melhor ainda. Portanto, coloque-a junto a uma janela virada a sudeste ou a sudoeste, afastada do vidro e sem exposição aos raios solares e a sua planta está pronta para florir de forma praticamente contínua.
No verão convém afastá-la um pouco da janela durante o período mais quente da tarde e no inverno deve ser posta num local com muito sol todo o dia. Se não for possível no inverno proporcionar-lhe as horas de sol necessárias, pode colocar-se o vaso sob uma lâmpada com 5000 lux de modo a completar as 12 horas mínimas que a planta requer para florir.
Se as folhas começarem a aparecer finas e escuras, então é sinal de que a luz que recebe é insuficiente. Os caules das folhas ficam também mais compridos e finos, um sinal de que a planta procura mais luz.

Humidade:
Regue com frequência o solo de maneira uniforme mas não em abundância, porque com água a mais a planta morre. O vaso deve ter saídas para o excesso de água que tem de ser escorrida meia hora após cada rega para não acumular. Também não convém deixar secar o solo, daí ser aconselhável regar pouco todos os dias se possível. O truque é tocar na superfície do solo com o dedo e se estiver seca deve regar. 
Rega-se a partir de cima e em quantidade razoável, para que os sais minerais acumulados desçam e a prazo sejam arrastados do solo. Mas nunca em cima das folhas, sobretudo porque se a água não estiver a uma temperatura correta, a folhas ressentir-se-ão. Por isso é mais seguro regar apenas o solo de cima para baixo e sem excessos. Também há quem coloque uma espécie de pavio em tecido sintético tipo microfibra, uma tira fina e longa que se introduz pela base num dos buracos do vaso até quase à superfície do substrato. A ponta que fica dentro de água leva a humidade para cima, sem afogar as raízes, mas mantendo-as sempre com a necessária humidade para alimentar a planta. O vaso nunca fica dentro de água para que as raízes não apodreçam.
Outro segredo é a temperatura da água, que tem de ser igual à temperatura ambiente do local onde o vaso se encontra pois a água fria fará a planta sofrer. A qualidade da água também é importante, convém que seja macia, de preferência água da chuva ou água desmineralizada, nunca calcária ou dura. Regue apenas o solo e não em cima das flores ou das folhas.
Como a Violeta Africana gosta de muita humidade também é uma boa solução colocar o vaso sobre um prato ou tabuleiro com seixos, deitando um pouco de água abaixo do nível dos seixos para que evapore lentamente mantendo o ar à volta da planta constantemente húmido. É por esta razão que casas de banho e cozinhas são locais onde as plantas se dão particularmente bem devido à maior humidade do ar, isto desde que o número de horas de luz também seja suficiente. Uma casa de banho ou uma cozinha frias e escuras não servirão. Lembre-se, a base do vaso não pode ficar nunca em contato com a água!

Fertilização:
A Violeta Africana é fertilizada todas as vezes que for regada, se tiver muita luz pode ser ao longo de todo o ano, utilizando-se preferencialmente um fertilizante líquido com elevado teor de potássio (K) e fosfato (P). Na série NPK significa que o primeiro algarismo (azoto) deve ser mais pequeno que os dois seguintes. Um fertilizante rico em azoto apenas fará com que as folhas cresçam mais, mais verdes e em maior número, em detrimento das flores que dependem mais dos níveis de fósforo ou potássio. A melhor dose de fertilizante contudo deve ser baixa, recomendando-se a redução da dose recomendada na embalagem para menos de metade, porque é suficiente para este tipo de planta. 

Resistência:
Não resiste em locais com temperaturas abaixo dos 16ºC. A temperatura ideal é entre 17º-18ºC de noite e 22º-24ºC de dia, sempre com muita humidade como referido. Normalmente dão-se bem onde os  seres humanos também se sentem confortáveis, ou seja, numa habitação com temperaturas moderadas. Evidenciam sinais de stress quando sujeitas a súbitas mudanças de temperatura ambiente e sofrem quando colocadas junto a uma janela fria. São portanto plantas sensíveis à temperatura, seja ela do ambiente ou da água. Se as folhas enrolarem pode ser sinal de frio excessivo. Se ficarem moles e com poucas flores, a temperatura estará porventura demasiado alta e/ou a humidade baixa. Para manter os aspeto equilibrado das rosetas podem tirar-se as folhas inferiores e mais escuras a toda à volta, procurando arrancá-las cuidadosamente com os dedos puxando lateralmente e deixando uma roseta central apenas com folhas novas. As folhas retiradas podem servir para propagar novas plantas, se forem saudáveis, conforme abaixo se refere.

Substrato:
Preferem um substrato bem poroso que pode ser uma mistura de substrato para catos à qual se junta em partes iguais areia de construção (sem sal, portanto) e perlite para manter alguma humidade sem sufocar as raízes. Tudo bem misturado e colocado no vaso sem calcar, por forma ficar bem soltinho.

Propagação:
Muito fácil, a partir de uma folha sã, corta-se o pecíolo junto ao caule principal com os dedos, um pouco abaixo do início da folha e mergulha-se este pézinho em pó para criar raízes (à venda nas floristas) ou se não se tiver este facilitador, planta-se apenas a folha num vaso com uma mistura  conforme descrito acima, cobre-se com um plástico transparente que colosa-se num local onde a temperatura esteja entre os 24º e os 26ºC. Pode cortar-se um pouco da folha plantada para ajudar a criar novas raízes e a ficar equilibrada no novo vaso que deve ser pequeno. As novas folhinhas aparecerão no espaço de duas ou três semanas, nessa altura corta-se a folha mais velha e planta-se os filhotes num vaso não muito grande, em geral 3 a 5 novas mudas reproduzir-se-ão em cada folha plantada. Também é possível reproduzir a partir de uma folha cujo pé se coloca dentro de um recipiente com água, a qual se vai acrescentando com água nova à medida que evapora mas este processo leva mais tempo a germinar raízes novas e nem empre resulta.

Aplicações:
Em Portugal a Violeta Africana é uma planta de interior em virtude do clima não ser tropical. Preferem ter as raízes mais juntas por isso os vasos não devem ser grandes e dão-se melhor nos vasos de plástico do que nos de barro. Mudam-se de dois em dois anos para novos vasos com terra/substrato novo, mantendo a dimensão pequena do vaso proporcional ao tamanho da planta. 

maio 29, 2014

FETO (SAMAMBAIA)


Nephrolepis exaltata
Nome comum:
FETO, SAMAMBAIA, FETO DE  BOSTON
Família:
Nephrolepidaceae 

Descrição:
O feto tem folhas frondosas e alongadas com 90 cm de comprimento e cerca de 15 cm de largura, que se apresentam a partir do solo em tufos chamados rizomas. As folhinhas individuais que se distribuem simetricamente de cada lado, ao longo de um veio central, podem chegar a ter 7,5 cm de comprimento e são levemente dentadas nos bordos. Na parte de baixo destas folhinhas existem duas filas paralelas de pintinhas junto aos bordos, onde se alojam os orgãos que contêm os esporos os quais mais tarde darão origem a novas plantas.


Existem muitas variedades de cultivares desta espécie. No Feto de Boston ou simplesmente feto como é conhecido em Portugal, as folhas caem graciosamente para os lados e é também o tipo que melhor suporta todas condições de cultivo incluindo dentro de casa, onde se for bem tratado, vive todo o ano durante muitos anos.

Algumas espécies são nativas do Brasil, onde o feto é muito utilizado em jardins e na decoração de pátios e mesmo de salas, e são conhecidos por Samambaia, tendo em geral um porte maior e mais frondoso.

Origem:
Originário da América do Sul, o feto é muito comum nos climas tropicais húmidos, podendo desenvolver-se livremente na natureza, em florestas húmidas e pantanosas, graças ao efeito do vento que favorece a dispersão dos minúsculos esporos. Nestes ambientes quentes e húmidos, os fetos facilmente se desenvolvem nos troncos de algumas palmeiras. Em Portugal, nomeadamente na mata do Buçaco, existem variedades maravilhosas desta planta desenvolvendo-se em plena natureza.


Cultura:

Luz: Requer sombra parcial, sem luz direta quando em exteriores e luz clara, filtrada, quando dentro de casa.

Humidade: O Feto de Boston gosta do solo húmido (mas não em excesso) e rico em matéria orgânica. Este é tolerante à seca, comportando-se melhor do que qualquer dos cultivares mais conhecidos desta espécie, e embora resista bem, apenas terá condições para se desenvolver de forma plena e viçosa, em condições de suficiente humidade do solo e do ar.

Quando cultivado em recipiente e não no solo, convém colocar pedrisco entre o vaso e o prato onde o mesmo assenta, por forma a manter sempre alguma humidade, evitando porém que o vaso entre em contato com a água para que as raízes não apodreçam. Sempre que a humidade do ar for inferior a 80% (o que em Portugal acontece com frequência), pulverize as folhas do feto mais do que uma vez ao dia e verá que a planta desenvolver-se-á com grande vigor e beleza.

Resistência: Zonas 9 a 11. O Feto de Boston desaparece quando sujeito a muito frio e geada, mas reaparece na primavera a partir das raízes anteriores. Contudo, não suporta falta de água e pode secar completamente se não chover ou se a rega for esquecida. Se notar que as folhas começam a cair é sinal de que a planta precisa de mais água, toque o solo com a ponta dos dedos e sempre que este estiver seco, regue. Caso os veios centrais das folhas fiquem nus e secos, corte-os entre duas unhas, para que o aspeto geral fique mais apresentável e também para dar mais corpo a toda a planta, que sem isso ficará com um aspecto um tanto ou quanto "desgrenhado" 

Propagação: Propaga-se por divisão das raízes, ou ainda, embora mais dificilmente, por meio dos esporos, e neste caso, nas variedades cultivares o resultado não dará plantas iguais à planta mãe. 

Aplicações:

Em exteriores os fetos podem ser utilizados como cobertura ou revestimento de canteiros, por baixo de árvores frondosas ou de arbustos que providenciem sombra, em geral em locais onde a pouca luminosidade não favorece as plantas mais baixas.

Em condições favoráveis, desenvolvem-se através de raízes que se espalham subterraneamente e despontam aqui e ali, sem exigir grandes cuidados. Dentro de casa, tanto a espécie como os inúmeros cultivares que existem podem ser plantados em recipientes adequados para ser pendurados ou colocados em cima de um pedestal, pois as folhas que caiem à volta do vaso proporcionam um efeito decorativo fresco e muito atrativo.

Por essa razão, dão-se também muito bem em casas de banho ou nas cozinhas desde haja humidade no ambiente. Em última análise, um borrifador à mão pode, como referimos antes, fazer milagres.  

Características:
O Feto de Boston é sem dúvida uma planta muito resistente e própria para jardineiros principiantes que queiram desenvolver as suas aptidões sem que no entanto possuam grandes conhecimentos. Tem a vantagem de poderem ser plantados dentro ou fora de  casa, já que a vida urbana não nos permite muitas vezes ter uma varanda, para já não falar de um jardim.
 
Proporcionam um efeito espetacular no parapeito de uma janela onde haja luminosidade, e isto tanto para o exterior como para o interior da sala onde estiverem colocados. Também se adaptam bem no topo de uma escadaria, ou num balcão, são plantas muito vistosas quando se desenvolvem bem. No meio de um arranjo com outras plantas (prímulas, calêndulas, cíclames ou jacintos) ficam muito atrativas.
 

Em todas as casas onde vivi, isto em diferentes cidades, houve sempre um feto ou uma samambaia para alegrar o ambiente, mesmo quando isso aconteceu à beira de um deserto (como nesta foto de Telavive). Lá está, mas sempre com um borrifador à mão para aspergir as folhas praticamente todos os dias...

 

fevereiro 25, 2014

CÍCLAMES (em canteiros)

Top of FormBottom of FormComo cuidar de um ciclaameCCComo cuidar de um Cíclame
A planta Cíclame própria do tempo frio, resiste de forma magnífica em locais sombrios onde outras plantas não conseguem sobreviver. Mas é necessário conhecer um ou dois segredos que farão com que os seus Cíclames cresçam e floresçam no jardim ou dentro de casa, de forma continuada e sem grandes preocupações. É mesmo uma planta fácil de manter, embora quase toda a gente deite o vaso fora no fim da estação, o que é no mínimo um desperdício de dinheiro, convenhamos!
Cíclame em plena floração
Variedades de Cíclames

Há Cíclames que se adaptam bem em canteiros de jardins, como os neopolitanum, e outros que se dão melhor dentro de casa, sobretudo se o clima exterior for muito frio. As regras para cuidar destes dois tipos de Cíclame são porém as mesmas, que passamos a detalhar. O Cíclame do tipo neopolitanum ou Cíclame cuja folha tem a forma de um coração, floresce no outono, reproduz-se continuadamente de ano para ano e por essa razão pode ficar no solo sem que seja necessário interferir na sua reprodução, para além de alguns cuidados que adiante referiremos. Os Cíclames multiplicam-se muito rapidamente e podem ser criados dentro de casa também, em recipiente adequado e neste caso, haverá que separar as plantas no fim da estação.

Como separar Cíclames para propagar novas plantas

Como referido, é possível deixar a planta no jardim e ela multiplicar-se-á durante anos com muita facilidade alargando a sua base, bastando para isso eliminar regularmente as flores e folhas que vão murchando. Quando a planta já está suficientemente grande, com uma pá bem limpa, corta-se pelo meio o ajuntamento das folhas, de cima para baixo, até separar a base em duas plantas distintas. É necessário fazê-lo com o maior cuidado para não danificar demasiado a planta original, separe abanando ligeiramente enquanto aprofunda o corte, para que as raízes se vão separando sem danos demasiados.

Cíclame neopolitanum
Cíclames em Lisboa, na Avª. da Liberdade
Nas zonas mais temperadas é possível deixar qualquer tipo de Cíclame no jardim, durante todo o ano, se bem que durante parte substancial do tempo eles desapareçam da vista sem dar sinal de vida. Continuam porém a desenvolver-se a partir do bolbo/tubérculo[1] que se encontra enterrado, nutrindo-o e preparando-o para a próxima estação. Se preferir, pode trazer a planta para dentro de casa num vaso, sobretudo nas regiões onde há mais frio e geada, e mantê-lo com folhas todo o ano, cuidando da planta como se de uma perene se tratasse. Nesse meio tempo o bolbo dividir-se-á em bolbos mais pequenos e cada um desses bolbos prepara-se para dar folhas e mais flores no tempo próprio, ou seja no outono e início do inverno. Desde que exista uma folha a brotar de um bolbo, este continuará a crescer e a multiplicar-se. Tratados desta maneira torna-se muito fácil criar e desenvolver várias plantas de Cíclame, no jardim ou dentro de casa.

Se a planta estiver num vaso independentemente do local, há que manter o solo mais para o seco do que húmido. Uma regra muito útil é esperar que o solo seque um pouco à superfície antes de regar de novo. Retire as folhas velhas e amareladas, corte-as logo que vê que a planta está a preparar-se para um período de descanso, mas enquanto as folhas tiverem bom aspeto e estiverem verdes, com novos brotos a rebentar com facilidade, mantenha-a perto da luz, e continue a aplicar os cuidados próprios de uma planta a desenvolver-se. Nunca é de mais lembrar que o Cíclame prefere a sombra ao sol direto, mesmo que se encontre por detrás do vidro de uma janela.


Cíclames em canteiro - Lisboa, Avª. da Liberdade
Em jardins onde existam árvores podem plantar-se Ciclames junto aos troncos das mesmas, desde que penetre alguma luz por meio dos ramos. São plantas que se encontram normalmente na natureza, nas florestas mais antigas, sobretudo o Ciclame mais pequeno, e fica muito bonito ver crescer primeiro as flores em forma de borboleta, nas cores maravilhosas próprias desta espécie e mais tarde as folhinhas escuras, junto dos caminhos ou na base dos troncos de árvores. O maior cuidado com estas plantas é dar a sombra e o descanso de que necessitam durante o tempo mais quente e ir tirando as folhas que vão secando e as flores à medida que vão murchando. Pouco mais pedem...

[1] Não se trata de um verdadeiro bolbo, é mais parecido com um tubérculo que passaremos a designar por bolbo, daqui em diante, por facilidade de expressão;

fevereiro 21, 2014

BOLBOS (Tulipas, Jacintos, Amarílis, Scilas, etc...)


É Fácil Cultivar BOLBOS!
Desde que se respeitem algumas regras básicas, é fácil cultivar bolbos! Para além do colorido e da variedade das espécies disponíveis que dão grande vivacidade a um jardim, alguns bolbos podem inclusive ser plantados em vasos ou em contentores e, obedecendo a algumas regras essenciais, chegam a florir dentro de casa.

Lírio
Para além de água, um bolbo não necessita de mais cuidados! Quando é de boa qualidade o bolbo contem dentro de si um mecanismo altamente desenvolvido de armazenagem de alimentos que, quando plantado no solo, o torna praticamente independente de tudo excepto de água.
Mesmo após um período longo de dormência, sujeito à seca, à geada ou ao calor intenso, na Primavera um bolbo volta à vida e frequentemente repete o seu ciclo vegetal, ano após ano. Os bolbos podem ainda ser utilizados ao longo de todo o ano, dependendo do tipo de bolbo, o que permite manter um jardim constantemente florido.
Tipos de Bolbos e Época para a Plantação
Existem três tipos de bolbos, consoante a época em que dão flor: Bolbos de Primavera, de Verão e de Outono. Alguns são bem conhecidos de toda a gente, mas conhecer melhor o respectivo ciclo de vida permite-nos planear e organizar com maior eficiência  o seu cultivo e duração. 
Em Portugal, os bolbos de Primavera mais populares são as Túlipas, os Narcisos, os Jacintos, os Crocus e os Alliums. Também os Amarílis e os Íris. Em comum, todos têm o facto de necessitarem de um período de frio debaixo do solo para que o relógio biológico inicie a contagem decrescente. Por esta razão plantam-se no fim do Outono ou no início do Inverno, após terem permanecido uns dias guardados no frigorífico e passam todo o Inverno sem dar sinal de vida. Quanto mais frio for o Inverno melhor para este tipo de bolbos. Em zonas de geada deve tapar-se o solo acima do bolbo com alguma proteção do tipo caruma, folhas secas, casca de pinheiro, etc.
Amarílis
Os bolbos de Verão em Portugal são as Dálias, as Begónias, os Lírios, os Gladíolos e os Jarros. Plantam-se no fim da Primavera e dão flor alguns meses depois. Dão-se bem em geral em todo o tipo de climas, mas como são pouco resistentes às geadas e aos Invernos frios, nas regiões onde as temperaturas são mais baixas, tiram-se do jardim e guardam-se. Depois da floração, espera-se até a folhagem ficar toda amarela, altura em que o bolbo armazena o alimento e só depois se cortam as folhas rentes ao solo. Tira-se o bolbo do chão e guarda-se num local fresco e seco, entre palha ou caruma, para voltar a ser enterrado na próxima estação.
O bolbo de Outono mais conhecido é o Crocus e planta-se no Verão. Quando todas as plantas de flor iniciam o seu repouso, este bolbo enche-se de cor dando vida ao jardim.
Como Comprar?
Para além de ser indispensável respeitar o período indicado acima para plantar os bolbos, há ainda que conhecer a época em que devem ser comprados, para que não percam qualidades. Assim, os bolbos de Primavera devem ser comprados em Setembro, os de Verão compram-se no fim de Março e os de Outono compram-se no início do Verão. As grandes superfícies de do-it-yourself em Portugal começam a vender em regra por volta de setembro/outubro, mas atenção ao que vai comprar. leia sempre no verso da embalagem qual a melhor altura para plantar, não guarde o bolbo em casa mais do que um ou dois meses e cumpra com as instruções indicadas.
Que Fazer Depois da Floração?
A maior parte dos bolbos naturalizam-se e tornam-se plantas perenes, voltando a florir durante anos seguidos no mesmo local. Para que isso aconteça, as folhas devem cumprir o processo completo de fotossíntese e outros, que se destinam a armazenar o alimento necessário para que o bolbo se regenere. Durante este processo nascerão novos pequenos bolbos embrionários junto do original. É um processo que ocorre durante as semanas que se seguem  ao desaparecimento da flor.
Esta a razão porque as folhas não devem ser cortadas cedo demais e mesmo depois de terem desaparecido os bolbos que ficam no chão continuam o seu processo de recuperação para o próximo ciclo e não devem ser perturbados. Antes de os cobrir com terra, ponha uma rede de galinheiro que evitará danos involuntários ou os ataques de pequenos animais. Se necessário marque com uma etiqueta o local do bolbo, porque não vai ter sinal dele durante uma temporada longa.
Narciso
Existe um relógio biológico que permite aos bolbos despertar todos os anos para um novo ciclo, criando raízes, rebentos e folhas, dando flor e morrendo para entrar em dormência novamente. No caso do bolbo de Primavera, logo que é plantado no Outono inicia o processo de desenvolvimento embrionário das folhas e das flores, desenvolvendo rapidamente raízes e um caule, que cresce até ficar abaixo da superfície do solo, altura em que pára de crescer por um tempo à medida que a temperatura exterior desce. Quando a temperatura volta a subir, retoma o processo de desenvolvimento, rompe a superfície do solo, dá flor por um período de tempo relativamente curto e volta a morrer e a entrar em dormência.
Alguns bolbos conseguem armazenar nutrientes suficientes para alimentar não só a planta mas também a flor e as folhas durante todo o ciclo e por esta razão, alguns bolbos desenvolvem-se fora do solo, mesmo quando não foram convenientemente plantados na época própria. São quase auto suficientes.
Como Forçar um Bolbo para que dê Flor
Do mesmo modo, se plantar por exemplo bolbos de Narcisos numa taça com água e alguns seixos, desenvolver-se-ão e darão flor, mas dado que o meio não lhes permite reconstituir o stock de nutrientes, não darão flor na época seguinte. Podem até nem voltar a florir.
 
Jacinto
Os Jacintos são extraordinariamente aromáticos, podendo o perfume causar mau estar a algumas pessoas. Podem ser cultivados dentro de casa, em vasos baixos e largos, com uma mistura de terra e areia suficiente para desenvolverem raízes, produzindo um efeito muito decorativo em cima de uma mesa. Pode ainda ser aplicada uma técnica para forçar a floração do Jacinto, cujo inconveniente é impedir que a planta volte a florir tão cedo.

Scilla
Coloque o bolbo num jarro pequeno com um gargalo estreito por forma a que o bolbo fique com a terça parte inferior dentro de água. Tape-o com um cartuxo de papel pardo ou outro semelhante e deixe ficar guardado dentro de um armário num sítio escuro e protegido até Janeiro. Periodicamente tire o cartuxo e acrescente um pouco de água morna tendo cuidado para não perturbar as raízes nem molhar excessivamente o bolbo.
Verificará que as raízes romperão por volta da 4ª. ou 5ª. semana e que o caule ou “borboto” que lhe dará origem nascerá uns 15 dias depois, sensivelmente. Quando o caule atingir os 6 cm tire o cartuxo e uma semana depois traga o bolbo para a luz, onde as folhas se desenvolverão. Se tudo correr bem, em breve terá um magnífico “cacho” de lindas flores coloridas e cheias de perfume durante uns dez dias.

Este bolbo não voltará porém a florir tão cedo, dado que foi forçado desta maneira.

21-02-2014 

maio 28, 2013

Brincos de Princesa (Fúcsia)

Fúcsia (Fúchsia)

Nome comum: Brincos de Princesa

Família: Semi-resistente, arbustiva perene

Descrição:
Assim batizada em homenagem ao botânico alemão Leonhard Fuchs, esta planta possui flores de cores vibrantes e variadas, que contrastam com as folhas de cor verde escuro. Dão-se bem tanto ao ar livre em jardins, como no interior em vasos ou em cestos de pendurar, em varandas e pátios protegidos. Se proporcionados os cuidados devidos aos caules delicados, folhas e flores da fúcsia, o resultado é duradouro e espetacular.
Local: A planta é nativa da Nova Zelândia e da América do Sul e Central, mas fácil de cultivar em Portugal.
Cultura: Existem vários tipos de Brincos de Princesa e inúmeras variedades híbridas já desenvolvidas em laboratório. As mais resistentes são as standard, embora não sejam as mais vistosas.
Luz: Os Brincos de Princesa podem ser cultivados num local que receba diariamente bastante luz solar, sobretudo pela manhã e do lado nascente, ao invés do calor quente da tarde. Se o local tiver sol pela manhã e sombra pela tarde, será a melhor receita para qualquer fúcsia, seja de que tipo for.
Humidade:  As fúcsias não apreciam água a mais, por isso é de evitar regar em abundância mesmo no verão, sendo preferível utilizar pequenas quantidades mas com maior frequência. A rega deve ser feita de manhã cedo de preferência, em maior quantidade no verão do que nas estações mais frescas. Uma regra de ouro para cuidar convenientemente de uma fúcsia é manter sempre o solo húmido ao toque, regando o número de vezes necessário mas nunca em excesso como já foi referido.
Resistência: Não é difícil cultivar esta planta uma vez que exige muito poucos cuidados. Fertilizar semanalmente no verão e no outono com produto próprio para tomateiros (NPK: 20-20-20) e no inverno em menor quantidade, utilizando um fertilizante mais fraco. 
Propagação: propaga-se por enxertia, por sementes ou por estacas retiradas de uma planta saudável. Esta é mesmo a solução mais fácil e que resulta melhor. Corta-se um caule que esteja verde e flexível, com 7 a 10 cm deixando do lado que vai para a terra um centímetro de caule livre abaixo do primeiro nódulo. No nódulo seguinte, onde deve haver duas folhas, cortam-se as pontas das folhas deixando apenas o pecíolo ou pé da folha ligado ao caule. No topo deve ficar o chamado ápice, com duas ou três folhas, que se mantêm sem cortar. Convém desinfetar os instrumentos de corte que forem utilizados, com álcool puro ou outro produto desinfetante. Pulveriza-se o pé do ramo cortado com um pouco de fertilizante para enraizar e coloca-se em solo preparado e húmido, pressionando com os dedos cuidadosamente junto ao caule para o prender. Enterra-se apenas um pedaço até um pouco abaixo do segundo nó, para que fique bem fixo e não apodreça.
Utilização: Quando o vaso estiver dentro de casa ou numa estufa, continua-se a regar para manter o solo húmido, mesmo no inverno. Quando a temperatura começar a permitir, no início da primavera quando não haja perigo de geadas ou golpes de frio, pode colocar-se os vasos no exterior, e começar por repicar (ou pinchar) as pontas cortando com os dedos as folhas do ápice e eliminando as folhas amarelas ou secas. Também as flores devem ser retiradas logo que murchem, para permitir nova floração e fornecer um aspeto mais limpo a toda a planta.
Características:
Estas plantas exigem muito pouco cuidado, exceto no inverno, época em que por regra as fúcsias apresentam um aspeto algo abandonado e parecem por vezes mesmo mortas. Geralmente não é esse o caso, estão apenas adormecidas e podem até ser estimuladas a acordar antes do tempo normal.
No caso das plantas mantidas em estufa ou num local protegido durante o inverno, é normal que após o outono e dependendo das regiões serem mais ou menos frias, os Brincos de Princesa deixem cair a folhagem toda ou quase toda, que começa por ficar amarela, a que se sucede um emaranhado de caules escuros acastanhados e com aparência de secos.
Ainda que continuem a nascer algumas folhas, sobretudo quando se encontram num local protegido, estas desenvolver-se-ão muito lentamente, contrariamente ao que acontece durante o tempo quente quando os Brincos de Princesa crescem com grande vitalidade.
Na verdade as plantas aproveitam a época do ano mais fria para descansar e recuperar do processo de floração, certamente exigente e esgotante, que nos Brincos de Princesa se desenvolve ao máximo nos meses de primavera e verão. Portanto, se a sua fúcsia parecer relutante em acordar, gerar folhagem e despertar antes de março ou maio de cada ano, não entre em pânico, o mais certo é estar a recuperar da floração da época anterior e isso é bom para a planta.
Por maioria de razão se no início do outono anterior se procedeu à poda - conforme indicado para a espécie em causa na seção adequada deste site – pode acontecer que ela tarde mais a recuperar. Apenas nos locais onde a temperatura é mais moderada podem começar a aparecer antes da primavera pequenas folhas junto ao caule principal e mesmo assim, tardarão a desenvolver-se plenamente.
Se esse processo não começar no tempo próprio, pode acontecer que a planta necessite de mais tempo ou também que parte ou a totalidade da planta esteja morta. Embora quando a envolvente lhes é favorável, os Brincos de Princesa durem anos e anos sem problemas, pode acontecer que parte ou a totalidade de uma planta seja atingida por frio demasiado ou por pestes que a destroem. Em todos os jardins há quebras na passagem de uma estação para outra.
Cuidados:
Para saber se a planta está viva, deve proceder-se de forma cautelosa, escolhendo um ramo e raspando cuidadosamente com a unha até encontrar a parte interior onde a planta deverá ser verde. Apenas acontece que ainda não terá as condições climatéricas de que gosta e por isso, manter-se-á em repouso até que isso aconteça.
Caso o caule no ponto onde raspou não esteja verde mas sim castanho, então será necessário investigar melhor, porque mesmo que essa parte tenha secado, a planta pode ainda estar viva. Não esqueça que a luminosidade é muito importante para uma planta começar a dar sinais de que está pronta para acordar do sono de inverno e dar rebentos.
Se assim for, no mesmo caule mas um pouco mais abaixo do lado da terra, vá raspando o caule com a unha para ver se encontra verde no interior. Caso não encontre é sinal de que esse caule morreu devido ou ao frio ou por outra razão e pode cortá-lo rente ao caule principal. Mas dando-se o caso de existir seiva, então corta-se apenas daí para cima, deixando a parte verde na planta, a qual se desenvolverá mais tarde quando condições mais favoráveis o permitirem.
Deve pois repetir esta operação em vários ramos para detetar o que está morto e o que está apenas adormecido, cortando apenas a parte que morreu e esperando que o resto se desenvolva. Se não tiver certezas, pelo sim pelo não deixe ficar como está e espere pelo tempo quente.
Por outro lado, acontece que tendo a planta morrido é provável que da base venham a crescer novas folhas e então terá uma nova planta. Ou se as raízes da planta que parece morta estiverem brancas a planta poderá sobreviver, mas se estiverem castanhas é porque morreu. Deite fora e plante uma nova estaca, de preferência uma que terá preparado a partir de uma outra planta durante o Outono, opção esta muito fácil para reproduzir e repor eventuais quebras.
Se, apesar de ter o caule verde, mesmo assim em janeiro que coincide com o meio do inverno, as folhas ainda não tiverem nascido, o crescimento pode ser estimulado a partir de alguns truques específicos. Algumas destas plantas gostam de ficar um pouco mais tempo em descanso, outras acordam mais rapidamente, dependendo da espécie ser ou não mais exigente com a quantidade de luz e calor que recebe.
Não havendo forma de saber qual o método mais correto, é bom saber-se que as fúcsias mais comuns (standard) são em geral mais difíceis de acordar, não se sabe porquê. Porém, há quem faça uma aspersão diária de água morna nos caules e assim “engane” a planta que julga já ser primavera, através do amolecimento do caule que passa a absorver a humidade disponibilizada e a estimular o crescimento de folhas novas. Mas cuidado porque embora a fúcsia goste de humidade, quando é a mais corre o risco de apodrecer, sobretudo no inverno ao ar livre.
Um pouco de fertilizante fraco também pode estimular o crescimento de folhas, mas cuidado para não sujeitar a planta a um esforço para o qual não existirão as condições ideais, que fará com que enfraqueça ou morra.
Aliás a melhor forma de matar uma fúcsia no inverno é dar-lhe água a mais, porque ao não conseguir absorver a humidade a um ritmo que evite o apodrecimento das raízes, fatal nesta espécie de planta, ela provocar-lhe-á a morte. Também nos locais muito frios a água pode gelar provocando o congelamento das raízes, portanto aqui vai de novo um aviso sério com a quantidade de rega nessa época do ano.
As espécies mais comuns, em particular, são mais difíceis de retomar o crescimento no fim do inverno. Existe uma forma de melhorar essa situação. Como em geral os caules são mais longos do que nas outras espécies, uma forma de estimular o crescimento das fúcsias standards é deitá-las na horizontal durante algum tempo, o que permitirá que a seiva corra mais facilmente de uma ponta à outra, ao invés de subir da raiz até acima. Para a planta é mais fácil e rápido que a seiva corra ao longo do caule e não de baixo para cima, o que não custa nada tentar e costuma dar resultado! Logo que comece a dar sinais de vida pode-se então endireitar o vaso, para a posição normal vertical e mantê-la assim durante a época quente. Esta técnica também se pode utilizar noutro tipo de plantas, mas as fúcsias reagem particularmente bem a este truque. Eliminando constantemente as pontinhas ainda verdes ajuda-se a planta a preparar um lindo arbusto verde redondo, que se enche de flores pendentes e muito bonitas.