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dezembro 02, 2014

RELVADOS


Preparar o relvado para os meses de Inverno 


Perto do final do Outono é necessário preparar o seu relvado para os meses de Inverno que se aproximam, durante os quais as plantas em geral entram num período de descanso e de quase hibernação.

Também os relvados, sobretudo nas regiões onde vigoram as quatro estações, reagem às temperaturas mais frescas. Regra geral em Portugal continental isto acontece em meados do mês de Novembro e no final do Outono, altura em que as plantas iniciam um período de dormência, durante o qual não se verifica o crescimento das folhas, período que se prolonga praticamente, dependendo da região, até aos primeiros “calores” de Abril.
 
É o período em que se dá descanso também à máquina de cortar relva. Mas para que o relvado suporte os rigores das temperaturas mais baixas e se recomponha do esforço a que se sujeitou no Verão, de molde a recuperar da melhor forma o viço dos primeiros meses na Primavera seguinte, torna-se aconselhável prepará-lo para o Inverno.
Todos os tipos de relvado reagem bem a uma fertilização especial no Outono, uma vez que dela resultam várias vantagens. Em primeiro lugar, a fertilização fortalece as raízes das plantas de relva, tornando-as mais resistentes. Se durante o Outono as raízes armazenarem os nutrientes adequados para a próxima estação, o que acontece com quase todas as plantas do tipo ervas – tal como a relva – e ainda as plantas perenes em geral, estarão melhor preparadas para o período de crescimento activo. Exceptua-se a este tratamento a relva forrageira do tipo azevém (ryegrass).

Quando uma planta como a do relvado armazena energia, o nutriente mais importante nesse processo é o Fósforo (simbolo químico P), o qual tem um papel fundamental no armazenamento e na transferência de energia da planta para a raiz. Ora este processo desenvolve-se exactamente durante os meses de Outono, razão pela qual o Fósforo administrado nessa altura incentiva o crescimento das raízes e contribui para que a relva resista melhor às doenças, ao frio e à seca e ao calor, no Verão seguinte.

Um bom fertilizante de Outono também deve ter uma quantidade adequada de nitrogénio (N) ou azoto, o elemento chave para a cor verde das plantas em geral e em particular para a dos relvados, que consomem elevadas quantidades de nitrogénio, em comparação com os outros ingredientes que regra geral fazem parte de um fertilizante. Uma quantidade insuficiente de nitrogénio contribui para o aparecimento de ervas daninhas, de doenças e de fungos próprios da relva, que por sua vez têm tendência para se agravar durante os meses de Inverno, tornando o trabalho da manutenção do relvado na Primavera um verdadeiro quebra cabeças (sobretudo para quem não gosta muito de utilizar herbicidas e químicos …).
 
Contudo - e este aspecto é muito importante - dado que o crescimento das plantas se processa mais devagar a partir do momento em que as temperaturas do solo baixam, há que ter em atenção a quantidade adequada de nitrogénio que deve ser administrado, para não induzir a planta num crescimento forçado e fora da estação própria, o que a prejudicaria mais do que beneficiaria.

Finalmente, uma dose saudável de Potássio (K) permite proteger o relvado durante o Inverno dado que promove a tolerância ao frio e ao tráfico continuado de pessoas, o que pode ser importante durante as estações mais quentes sobretudo nos locais onde houver crianças a utilizá-lo.

Por todas estas razões, a fertilização adequada do relvado no final do Outono é altamente vantajosa para a saúde do mesmo e prepara-o para o crescimento em melhores condições na Primavera seguinte.

Caso o seu relvado seja invadido por ervas daninhas com frequência, lembre-se que quanto mais saudável for a sua relva menos oportunidade existe para que vinguem outras espécies, pois a relva desenvolve um sistema de raízes forte de tal modo que não permite o crescimento nela de mais nenhum outro concorrente, sobretudo se a outra planta tiver raízes menos profundas, como é o caso em geral das ervas daninhas. O Outono é a altura ideal para se ver livre delas. Não se esqueça porém que o melhor remédio para que não proliferem é retirá-las à mão, com um pequeno sacho, à medida que começam a aparecer e antes que invadam uma grande área do relvado.
 


Mas é no Outono que se estabelecem as melhores condições para o seu crescimento activo, quer porque o desenvolvimento das raízes da relva se reduz, quer porque as condições atmosféricas são as melhores para o crescimento das suas raízes. Por essa razão é nesta altura que se devem tomar precauções especiais, quer fertilizando o relvado, quer arrancando as ervas invasoras, quer aplicando um herbicida sistémico que seja legal, nunca glifosato pois foi proibido recentemente.

Lembre-se de que ao travar o crescimento das ervas daninhas no seu relvado no Outono, terá menos trabalho na próxima Primavera. Embora sejam aconselhados também outros procedimentos neste período, tais como arejar e picar o relvado para evitar a compressão da superfície do solo e permitir uma melhor irrigação, factor importantíssimo para a saúde de um relvado, a eliminação das ervas daninhas é um factor fundamental para o bom aspecto e a saúde da relva. Verá que é um trabalho que compensa.

Finalmente lembre-se que os fertilizantes para relvados têm uma composição NPK onde o P deve ser o elemento mais elevado. Verifique sempre a proporção na embalagem. Não utilize um fertilizante com um elevado teor de N, porque embora a torne mais verde e bonita, exigirá da sua relva um esforço desnecessário que a prazo a tornará menos viçosa. Leia a ficha técnica geral sobre como cuidar da sua relva, a publicar em breve.

O QUE É O SOLO

Solos perfeitos. Existem?


Será que existe o solo perfeito, equilibrado, rico? Embora possam existir jardins onde o solo é perfeito, muitos jardineiros quando começam encontram condições terríveis: compra-se o lote de terreno, constrói-se a casa e quando tudo parece pronto para tornar aquele pequeno local no jardim dos nossos sonhos, eis que se percebe que o que até aqui era terra “normal” à vista desarmada, não passa de amontoado de entulho, pedra, argila, areia ou que há acidez em excesso.
Não desespere. Transformar um solo pobre num solo preparado para o crescimento saudável de uma planta não é uma tarefa tão difícil quanto se possa imaginar, desde que se compreenda quais são as componentes de um solo saudável. E é disso que trata este artigo.
 
O solo é basicamente constituído por partículas provenientes da erosão de rochas e por matéria orgânica. Mas a verdadeira “magia” por detrás de um solo rico são os organismos vivos – pequenos animais, vermes, insetos e micróbios – que se multiplicam apenas e só quando um solo é saudável e equilibrado.
Minerais
Em regra quase metade do solo no seu jardim é constituído por pequenas partículas inorgânicas, resultantes de rochas que com o tempo se vão partindo em pedaços cada vez mais pequenos, principalmente devido aos fatores da erosão (vento, chuva, frio, calor e elementos químicos e biológicos naturais).
A característica básica de um solo depende muito do tamanho e da proporção destas matérias inorgânicas: a areia tem partículas maiores, o lodo tem partículas médias e o barro tem partículas muito pequenas. A quantidade de cada um destes componentes num pedaço de terra determina a textura desse solo e afeta de forma determinante a capacidade de drenagem, interferindo com a retenção dos nutrientes e em consequência, com a riqueza do mesmo solo.
Matéria Orgânica
Trata-se dos resíduos decompostos de organismos e das plantas que entretanto chegam ao fim do seu ciclo, tal como folhas, ramos, líquenes, musgos e outros tipos de matéria vegetal. Embora só constituam 5 a 10% de um solo, são absolutamente essenciais ao seu equilíbrio.
São estes materiais orgânicos que “colam” as partículas do solo umas às outras e as transformam em torrões ou grãos porosos, permitindo que o ar e a água circulem, constituindo o meio favorável ao processo vegetativo. A matéria orgânica que retém a humidade (quase 90% do peso de húmus é água) é ainda capaz de absorver e armazenar os nutrientes necessários. Acima de tudo, a matéria orgânica alimenta os micro organismos e as outras formas de vida existentes no solo, tornando-o “vivo”.
Conhecendo isto, você pode acrescentar a quantidade de matéria orgânica necessária, juntando por exemplo estrume animal, folhas secas, vegetais de cozinha, matos verdes, capins ou madeiras trituradas. Dado que a maior parte do solo “vivo” e das raízes se encontra nos 30 cm superiores do solo, concentre-se nesta porção do terreno e melhore-o gradualmente. Mas não exagere na quantidade de materiais com elevado teor de hidrocarbonetos (palha, folhas, lascas de madeira ou serradura), porque os micro organismos tenderão a consumir elevados teores de nitrogénio para digerir estes materiais e por essa razão, este elemento, que é essencial à saúde das  plantas, em breve desaparecerá do seu solo.
Solo Vivo
As bactérias, os fungos, os protozoários e nematóides,  bactérias, minhocas e outras pequenas criaturas que habitam num solo saudável, são essenciais para o crescimento das plantas, pois ajudam a converter a matéria orgânica e os minerais do solo em vitaminas, hormonas e outros componentes que evitam doenças e acrescentam nutrientes próprios para a alimentação. As secreções que digerem contribuem também para unir as diversas partículas entre si, o que permite que um solo solto e arenoso se transforme num agregado consistente.
Uma das principais funções de um jardineiro é criar as condições ideais para que estes organismos vivos cumpram a sua tarefa, providenciando fontes de alimento abundante (carbohidratos de matéria orgânica), oxigénio (presente num solo bem arejado) e água suficiente. 
Ar
Cerca de 25% de um solo saudável contem ar. Todos os organismos que habitam no solo necessitam de ar para viver, sendo crucial ainda para a produção de nitrogénio atmosférico utilizado pelas plantas.
Um solo bem arejado é constituído por espaços porosos entre as suas partículas, mas não em demasia, pois nesse caso o processo de decomposição das matérias orgânicas acelera, tornando-as ineficientes. Assim, um solo com pequenas partículas – por vezes tão pequenas que não permitem que o ar sequer penetre - terá menos quantidade de ar e é barrento ou lodoso. Um solo com partículas maiores, como a areia,  terá muito ar e retém pouca água.
Para garantir que o solo do seu jardim possui uma quantidade equilibrada de oxigénio, junte bastante matéria orgânica e evite pisar ou calcar com equipamento muito pesado nos locais onde as plantas irão ser colocadas, para não o compactar demasiado. Nunca trabalhe o solo enquanto estiver muito húmido.
Água
Os restantes 25% do solo são de água. Assim como o ar, a água encontra-se nos espaços porosos das partículas do solo. Se as partículas forem maiores, a água (da chuva e das regas) escorre para o subsolo, ajudando a alimentar as raízes. No caso dos solos arenosos, os espaços entre as partículas são tão grandes que a força de gravidade faz com que a água se escoe excessivamente depressa sem permitir alimentar a raiz da planta e secando rapidamente.
Quando as partículas são médias, a água circula no sentido descendente e volta a subir sozinha através do sistema capilar, não se perdendo no subsolo. Por outro lado, o que se passa em solos demasiado húmidos é que a água enche completamente os espaços porosos expulsando o ar neles existente. Deste modo, os organismos vivos sufocam e as raízes apodrecem.
Numa situação ideal, deve coexistir uma combinação de espaços porosos médios e pequenos com uma dose equilibrada de matéria orgânica, o que estimulará a formação de torrões de solo, ou de terra solta capaz de incentivar a existência de organismos vivos e o crescimento vegetativo.
Quando conseguir que estes cinco elementos (minerais, matéria orgânica, micro organismos, ar e água) se conjuguem de forma equilibrada no seu solo, você terá um jardim não só mais saudável como mais produtivo. Se não sabe que tipo de solo tem, terá que fazer um teste.

CUIDAR DE PLANTAS NO INVERNO

Tropicais, dentro de casa…

Muitas das casas portuguesas têm sol e luz ao longo de todo o inverno. Isso é o suficiente para manter a maior parte das plantas felizes em vasos, dentro de cachepots cerâmicos adequados. Mas há também plantas tropicais que não desdenham passar uma temporada entre paredes, quando na rua chove e faz frio e o sol quase não se vê, para voltar à varanda ou à floreira da janela, logo que chegue a primavera. Como?
Não necessita de uma estufa nem de qualquer local especial. O essencial é mesmo dispor de um pequeno espaço (marquise ou quarto de arrumos) juntando aí num mesmo local todos os vasos com as plantas que quer preservar durante o inverno. São plantas de exterior, mas você pode  dar-lhes o ambiente de que necessitam para as manter vivas e saudáveis até Abril ou Maio próximos. Isto aplica-se a plantas como os Hibiscos, Buganvílias, Estrelícias, Antúrios, algumas espécies de Orquídeas e quaisquer outras tropicais e até não tropicais.
Junte os vasos no chão uns ao lado dos outros por cima de pedaço de passadeira plástica e com os respectivos pratos. Também pode usar um pequeno estrado de madeira que facilitará a limpeza do espaço, sempre aconselhável. Numa área de 75 cm por 1,5 m vai necessitar de duas lâmpadas fluorescentes (ou uma dupla) de 1,20 m e de uma ficha com temporizador. O investimento inicial pode significar qualquer coisa como 25 euros, mas se você comprou estas plantas, como regra geral é o caso - ou apenas se gosta delas - valerá a pena preservá-las porque também custaram dinheiro.
Pendure a lâmpada numa armação própria por cima das plantas a cerca de 50 cm e mantenha o sistema ligado, através do temporizador, durante 10 a 16 horas por dia, dependendo das plantas que tem e da luz natural do local. O consumo pode ser baixo se o sistema estiver bem montado e as lâmpadas forem as adequadas. Há muita escolha no mercado.
Coloque no centro os vasos mais altos e os que necessitam de mais luz e nas bordas aqueles que se satisfazem com menos. Se mantiver os cuidados habituais de rega e pouca fertilização aconselhável no inverno, que é tempo de repouso apesar de tudo, terá plantas verdes e bonitas na próxima Primavera. Atenção, não aplique esta receita às plantas de interior, a menos que a sua casa seja extremamente sombria no inverno. Funciona excepcionalmente bem com plantas tropicais que são em regra as mais caras de todas.
Quando chegar a altura, faça um regime de transição para o exterior, suave e sem mudanças bruscas. Comece por reduzir a luminosidade a apenas uma das lâmpadas e posteriormente, por retirar completamente a luz artificial. Ao fim de duas a três semanas coloque as plantas no seu local primitivo, mas evitando a luz directa do sol que poderá queimar as mais sensíveis.
Fertilize e regue regularmente apenas a partir da segunda semana no exterior. Se a planta for grande, raspe uns 5 cms da parte superior do solo do vaso e substitua com terra nova. Depois  acrescente um fertilizante de libertação lenta, como por exemplo Osmocote.

Só excecionalmente será necessário substituir toda a terra do vaso e se o fizer será um pouco antes do fim do Inverno, reduzindo a luminosidade para forçar a planta a entrar em descanso e não ser tão “incomodada” quando mudar de habitat. Nesta mesma altura pode também regar com uma solução de fertilizante diluído do tipo 20-20-20 e aplicar fertilizante líquido (bastante diluído) nas folhas com um pano.

Boa sorte com as suas plantas e viva a primavera! 

outubro 10, 2014

VIOLA X WITTROCKIANA


Viola x Wittrockiana
Nome Comum: Amor-perfeito
Família:
Violaceae
Descrição:
A Viola x wittrockiana é uma planta perene que a maior parte dos jardineiros trata como anual. Cresce bem em climas frescos e tornou-se já uma planta popular em climas moderados, encontrando-se à venda no início do inverno em muitos viveiros e floristas. Nos locais mais frios do país, é preferível plantar o amor perfeito só no início da primavera embora possam resistir a golpes pouco intensos de frio e geada.

Estas pequenas plantas com 10-15 cm de altura formam pequenos conjuntos de folhas pequenas de cor verde escura. Muitos dos variados cultivares existentes no mercado dão flores com tamanhos que podem ter entre 2,5 a 10 cm de diâmetro e existem numa gama de cores muito diversificada.
Origem:
São nativas da Europa e Ásia Menor, mas hoje em dia as que se encontram à venda são já produto de uma generalizada hibridização e seleção. Em Portugal encontramos em estado selvagem em bosques e zonas húmidas mas frescas, geralmente de tamanho pequeno e levemente aromáticas. Embora da família da Violeta, as Violas comerciais por regra não têm cheiro devido à hibridização por que passaram.

Cultura:
Os Amores-perfeitos dão-se bem em qualquer tipo de solo, mas preferem solos ricos em materiais orgânicos, misturado com areia limpa que ajudará a reter a humidade e a prevenir para que não sofram com a incidência de sol direto.
Devem ser fertilizadas quando plantadas e na época das flores de duas em duas semanas, com fertilizante universal (NPK) 10-10-10, a fim de sustentar a manutenção continuada de floração. No fim da época desaparecem mas podem voltar a surgir no ano seguinte, se o solo for cuidado, regado e fertilizado na época própria. Porém, como se refere antes, em geral planta-se novas mudas todos os anos porque com o tempo as espécies vão enfraquecendo e não resultam fortes e com tantas flores como a planta original.

Luz:
Plantar em local bem ensolarado ou com sombra apenas parcial, durante algumas horas do dia. Poderá crescer em local sem sol, mas não produz tantas flores.


Humidade:
Precisa de um solo sempre húmido, portanto, regue sempre que se verificar que não tem humidade suficiente se não a planta morre.

Resistência:
Nas regiões do sul do país, Algarve e Alentejo litoral, o amor-perfeito é uma planta que pode ser utilizada desde o início do inverno em varandas, floreiras de janela e até em jardins, desde que esteja exposta a algumas horas de sol. Como referido atrás não suporta sol forte direto no verão, mas resiste bem à luminosidade direta em climas um pouco mais frios, desde que o solo esteja húmido.

Propagação:
Pode propagar-se por sementes ou por estacas cortadas de plantas fortes no fim do verão. Existem à venda sementes de várias marcas, verifique a origem e data de validade, semeando apenas em tabuleiros com solo próprio para sementes e em local quente e húmido. Depois de nascer a plantinha deve ser transplantada no início da primavera para um vaso, floreira de janela ou para o jardim.

Aplicações:
Podem ser plantadas nos meses mais frescos na borda dos canteiros ou em jardins pequenos, na frente de plantas mais altas. Também ficam muito bem junto ao parapeito de uma janela, várias ao lado umas das outras, em caixas retangulares, de preferência da mesma cor ou tonalidade. Pequenos vasos de várias plantas de amores-perfeitos de cores variadas dão um tom de alegria e vivacidade junto a entradas, escadas, ou pátios e alamedas no jardim.

Características:
Na estação menos alegre do ano estas pequenas plantas surgem com um toque de cor permanente, quando ainda é difícil fazer florir quaisquer outras espécies que não resistem ao frio e à chuva. Sendo duradouras e praticamente livres de doenças, ajudam a alindar locais onde possam beneficiar de um pouco da luz ou do sol de inverno. O seu preço é baixo e são muito fáceis de manter, o que permite adquirir um conjunto de vários pés da mesma ou de cor diferente, ao gosto de cada um, para se começar bem cedo a pensar na primavera que está para vir.

outubro 07, 2014

PETÚNIA



Petunia X hibrida
Nome Comum: Petúnia

Família: Solanaceae 


Descrição:
São plantas perenes mas que se tratam em geral como anuais, pois exigem alguns cuidados para continuarem bonitas de ano para ano e dado existirem exemplares baratos no mercado, se justificar muito mais a renovação todos os anos destas plantas no jardim ou no vaso com novas espécies.
 
Existem duas categorias de Petúnias: grandiflora e multiflora. As primeiras têm flores grandes em menor quantidade e as segundas possuem flores de menor dimensão mas em maior número. As do tipo grandiflora têm tendência para desenvolver hastes longas e pendentes. Nestas, as flores podem atingir 13 cm de diâmetro. Nas multifloras como referido antes, as flores são mais pequenas (5-8 cm) mas em maior quantidade e a planta tem a forma de um pequeno arbusto compacto e muito florido.

O formato da flor de petúnia em regra parece o de uma trombeta, mas as espécies híbridas possuem muitas variantes incluindo as de pétala simples e dobrada, monocolores ou com margens coloridas. Também existem algumas com padrões de riscas, salpicos de cores variadas e com bordas de cores púrpura, malva, lavanda, rosa, vermelho, branco e amarelo.  As folhas e as hastes são pegajosas ao toque e têm um odor específico.
 
Origem:
Todos os membros do género Petúnia que contribuem para as centenas de híbridos existentes atualmente, têm origem na América do Sul em zonas tropicais ou sub-tropicais. Em Portugal ainda é raro ver petúnias nos jardins públicos, embora nos viveiros e à venda nas floristas se encontrem em abundância por volta do início da época de floração, pois são muito vistosas e coloridas.
 
Seria bom se as Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia utilizassem mais esta espécie nos espaços públicos. Por exemplo, em países com climas bastante menos favoráveis do que Portugal, como é o caso do centro da Europa (Áustria, Rep. Checa, Suiça) é frequente ver vasos com petúnias pendurados nos candeeiros nas ruas mais frequentadas dos centros históricos e que duram praticamente toda a estação quente, voltando a ser repostos, com outras petúnias e/ou plantas misturadas, no ano seguinte.

Cultura: 
O solo deve ser de boa qualidade, fôfo e rico organicamente. O espaçamento entre cada pé depende da espécie em causa e do seu tamanho original no momento em que for comprada, mas por regra um compasso de 30 a 45 cm entre cada pé é suficiente para o seu crescimento regular.
 
Muito importante: vá retirando as flores velhas e corte com as unhas as pontas das hastes (eu chamo a isto pinchar) para encorajar o crescimento lateral, favorecendo a formação em arbusto cheio, caso contrário a planta tende a ficar com caules muito compridos e deselegantes e com menos folhas e flores.

Luz:
Prefere locais solarengos e com muita luz, mas que não sejam excessivamente quentes.

Humidade:
Como tantas outras plantas, gosta de humidade sem ser em excesso. Evite deixar água no prato do vaso e o solo não pode nunca ficar encharcado. Mas também não pode ficar seco por muito tempo. Verifique ao toque com o dedo na superfície se esta ainda está húmida antes de voltar a regar.

Resistência:
Todas as petúnias têm caules tenros mas resistentes em qualquer zona de Portugal, à exceção dos locais onde a geada noturna pode queimar plantas mais expostas. No entanto, hoje em dia pode plantar-se petúnias em praticamente qualquer local do país, renovando-se anualmente, pois são bastante baratas. Se forem seguidos os conselhos de manutenção, darão flor regularmente durante todo o tempo quente após o que desaparecem, podendo mesmo voltar a aparecer no mesmo local no ano seguinte, se se continuar a regar moderadamente.

Propagação:
As petúnias podem ser propagadas através das minúsculas sementes, em tabuleiros próprios, de onde são depois transplantados para o local definitivo no momento apropriado que em geral é no início da primavera. Contudo, é muito mais fácil comprar tabuleiros com as pequenas plantas já desenvolvidas e no tamanho desejado, ou mesmo em vasos onde desde logo se pode apreciar a variedade das flores que virão a desenvolver-se nessa estação em grande quantidade.
 
Há quem prefira juntar várias cores diferentes no mesmo vaso e quem junte várias plantas de uma mesma cor ou tonalidade, para assim obter efeitos muito interessantes. Se plantar num canteiro, não use apenas um pé porque este ficará meio perdido no meio do resto das plantas. Agrupe um conjunto de petúnias, por exemplo com uma no centro e várias outras à volta, da mesma cor ou de cor diferente, para que o conjunto não perca relevância junto de outras plantas maiores.

Aplicações:
Podem ser utilizadas em canteiros, como bordas ao longo de passeios ou mesmo preenchendo todo o espaço disponível num canteiro. Em vasos pendurados nas árvores ou em ganchos suspensos de paredes ficam muito bem as grandifloras, dado o hábito pendente das suas hastes. Podem plantar-se dentro de vasos nas floreiras de uma janela, ou diretamente no solo destas, se existir terra em quantidade suficiente para que as raízes se desenvolvam. É aconselhável proteger os vasos do sol quente e regar mais vezes se o calor se fizer sentir mais forte, tendo o cuidado de não molhar as folhas e as flores para evitar a ocorrência de fungos.

Características:
Se existe uma planta mais aconselhável para quem quer ter flores todo o ano no jardim, na varanda, na floreira da janela ou num canteiro, essa planta é certamente a Petúnia. Cresce muito rapidamente e não pára de dar flores num contínuo desabrochar de cor e de variedade. Para além disso, é uma planta de baixo custo, bonita e fácil de encontrar à venda em qualquer viveiro ou centro de jardinagem. O segredo é mesmo ir retirando as flores velhas e murchas e pinchar as pontas das hastes novas para que voltem a dar mais folhas e flores.

setembro 23, 2014

VIOLETA AFRICANA (Saintpaulia)



Violeta Africana (Saintpaulia)
Nome Comum: violeta do Japão, Violeta
Familia: Gesneriaceae
 
Descrição:
Pequena planta de folhas aveludadas com formato de coração, agrupadas em torno de um centro do qual nascem caules curtos, verticais e tenros, de onde nascem as flores. De cores variadas (azul, rosa, branca, púrpura ou vermelha), as flores da Violeta Africana podem durar todo o ano, desde que a planta esteja numa localização que tenha as condições ideais abaixo indicadas. As flores têm 5 pétalas podendo ser dobradas, multicoloridas, frisadas ou com mais de uma cor na mesma planta, ou ainda com pétalas sobrepostas.

Origem:
A Violeta Africana – da qual existem entre 6 a 20 espécies – é nativa de um pequena região montanhosa da Tânzania, ao longo dos vales húmidos tropicais daquele país da costa oriental da África situado a norte de Moçambique, junto a terrenos rochosos ou sob árvores.
 
Cultura:
As Violetas Africanas são certamente das plantas domesticamente mais utilizadas em todo o mundo, sobretudo devido à beleza das flores e ao contraste com o verde escuro das folhas. Porém, por mais atraentes que sejam têm também truques para se obter um melhor resultado.

Luz:
É um dos segredos que leva a maximizar o tempo de floração desta planta: para se conseguir flores durante praticamente todo o ano, a Violeta Africana sendo originária de uma zona perto do Equador onde praticamente não há estações e os dias dividem-se em 12 horas com sol e 12 horas sem sol, precisa de um mínimo diário de 12 horas de luz solar indireta, nunca debaixo de raios fortes. Se tiver 14 horas melhor ainda. Portanto, coloque-a junto a uma janela virada a sudeste ou a sudoeste, afastada do vidro e sem exposição aos raios solares e a sua planta está pronta para florir de forma praticamente contínua.
No verão convém afastá-la um pouco da janela durante o período mais quente da tarde e no inverno deve ser posta num local com muito sol todo o dia. Se não for possível no inverno proporcionar-lhe as horas de sol necessárias, pode colocar-se o vaso sob uma lâmpada com 5000 lux de modo a completar as 12 horas mínimas que a planta requer para florir.
Se as folhas começarem a aparecer finas e escuras, então é sinal de que a luz que recebe é insuficiente. Os caules das folhas ficam também mais compridos e finos, um sinal de que a planta procura mais luz.

Humidade:
Regue com frequência o solo de maneira uniforme mas não em abundância, porque com água a mais a planta morre. O vaso deve ter saídas para o excesso de água que tem de ser escorrida meia hora após cada rega para não acumular. Também não convém deixar secar o solo, daí ser aconselhável regar pouco todos os dias se possível. O truque é tocar na superfície do solo com o dedo e se estiver seca deve regar. 
Rega-se a partir de cima e em quantidade razoável, para que os sais minerais acumulados desçam e a prazo sejam arrastados do solo. Mas nunca em cima das folhas, sobretudo porque se a água não estiver a uma temperatura correta, a folhas ressentir-se-ão. Por isso é mais seguro regar apenas o solo de cima para baixo e sem excessos. Também há quem coloque uma espécie de pavio em tecido sintético tipo microfibra, uma tira fina e longa que se introduz pela base num dos buracos do vaso até quase à superfície do substrato. A ponta que fica dentro de água leva a humidade para cima, sem afogar as raízes, mas mantendo-as sempre com a necessária humidade para alimentar a planta. O vaso nunca fica dentro de água para que as raízes não apodreçam.
Outro segredo é a temperatura da água, que tem de ser igual à temperatura ambiente do local onde o vaso se encontra pois a água fria fará a planta sofrer. A qualidade da água também é importante, convém que seja macia, de preferência água da chuva ou água desmineralizada, nunca calcária ou dura. Regue apenas o solo e não em cima das flores ou das folhas.
Como a Violeta Africana gosta de muita humidade também é uma boa solução colocar o vaso sobre um prato ou tabuleiro com seixos, deitando um pouco de água abaixo do nível dos seixos para que evapore lentamente mantendo o ar à volta da planta constantemente húmido. É por esta razão que casas de banho e cozinhas são locais onde as plantas se dão particularmente bem devido à maior humidade do ar, isto desde que o número de horas de luz também seja suficiente. Uma casa de banho ou uma cozinha frias e escuras não servirão. Lembre-se, a base do vaso não pode ficar nunca em contato com a água!

Fertilização:
A Violeta Africana é fertilizada todas as vezes que for regada, se tiver muita luz pode ser ao longo de todo o ano, utilizando-se preferencialmente um fertilizante líquido com elevado teor de potássio (K) e fosfato (P). Na série NPK significa que o primeiro algarismo (azoto) deve ser mais pequeno que os dois seguintes. Um fertilizante rico em azoto apenas fará com que as folhas cresçam mais, mais verdes e em maior número, em detrimento das flores que dependem mais dos níveis de fósforo ou potássio. A melhor dose de fertilizante contudo deve ser baixa, recomendando-se a redução da dose recomendada na embalagem para menos de metade, porque é suficiente para este tipo de planta. 

Resistência:
Não resiste em locais com temperaturas abaixo dos 16ºC. A temperatura ideal é entre 17º-18ºC de noite e 22º-24ºC de dia, sempre com muita humidade como referido. Normalmente dão-se bem onde os  seres humanos também se sentem confortáveis, ou seja, numa habitação com temperaturas moderadas. Evidenciam sinais de stress quando sujeitas a súbitas mudanças de temperatura ambiente e sofrem quando colocadas junto a uma janela fria. São portanto plantas sensíveis à temperatura, seja ela do ambiente ou da água. Se as folhas enrolarem pode ser sinal de frio excessivo. Se ficarem moles e com poucas flores, a temperatura estará porventura demasiado alta e/ou a humidade baixa. Para manter os aspeto equilibrado das rosetas podem tirar-se as folhas inferiores e mais escuras a toda à volta, procurando arrancá-las cuidadosamente com os dedos puxando lateralmente e deixando uma roseta central apenas com folhas novas. As folhas retiradas podem servir para propagar novas plantas, se forem saudáveis, conforme abaixo se refere.

Substrato:
Preferem um substrato bem poroso que pode ser uma mistura de substrato para catos à qual se junta em partes iguais areia de construção (sem sal, portanto) e perlite para manter alguma humidade sem sufocar as raízes. Tudo bem misturado e colocado no vaso sem calcar, por forma ficar bem soltinho.

Propagação:
Muito fácil, a partir de uma folha sã, corta-se o pecíolo junto ao caule principal com os dedos, um pouco abaixo do início da folha e mergulha-se este pézinho em pó para criar raízes (à venda nas floristas) ou se não se tiver este facilitador, planta-se apenas a folha num vaso com uma mistura  conforme descrito acima, cobre-se com um plástico transparente que colosa-se num local onde a temperatura esteja entre os 24º e os 26ºC. Pode cortar-se um pouco da folha plantada para ajudar a criar novas raízes e a ficar equilibrada no novo vaso que deve ser pequeno. As novas folhinhas aparecerão no espaço de duas ou três semanas, nessa altura corta-se a folha mais velha e planta-se os filhotes num vaso não muito grande, em geral 3 a 5 novas mudas reproduzir-se-ão em cada folha plantada. Também é possível reproduzir a partir de uma folha cujo pé se coloca dentro de um recipiente com água, a qual se vai acrescentando com água nova à medida que evapora mas este processo leva mais tempo a germinar raízes novas e nem empre resulta.

Aplicações:
Em Portugal a Violeta Africana é uma planta de interior em virtude do clima não ser tropical. Preferem ter as raízes mais juntas por isso os vasos não devem ser grandes e dão-se melhor nos vasos de plástico do que nos de barro. Mudam-se de dois em dois anos para novos vasos com terra/substrato novo, mantendo a dimensão pequena do vaso proporcional ao tamanho da planta. 

agosto 10, 2014

CITRINOS



Laranjeira e Limoeiro
Nome Comum: Citrinos

Familia: Citrus spp
 
Descrição:

A espécie é em geral subtropical, isto é, suporta verões quentes e invernos amenos, mas hoje em dia é fácil encontrar limoeiros e laranjeiras assim como outras árvores relacionadas com a família cítrica, plantadas em recipientes onde também produzem os seus frutos, independentemente do clima prevalecente na região. A altura normal de uma árvore na natureza é de 5 a 6 metros, sendo possível encontrar espécies mais pequenas  com 2,4 a 3,6 metros.

Na maior parte dos casos cada planta é autofértil, pelo que não é necessário plantar outra árvore da mesma família por perto para a fertilizar. Começa a produzir frutos em regra entre os 3 a 6 anos de idade, dependendo porém do tipo de citrino em causa, do clima, do solo, do cuidado providenciado à planta e de outros fatores diversos.

As flores, que irão dar origem aos frutos, não têm propriamente um carater sazonal, podendo ocorrer quando o clima aquece e desde que chova (ou que sejam regadas) com regularidade. Com frequência ocorre a formação de flores e frutos em simultâneo na mesma árvore.
 
Origem:
São provenientes da China mas há centenas de anos que se cultivam em toda a Europa e na América tanto do norte como do sul, nos locais onde os invernos não são muito rigorosos, ou então em estufas, para benefício da população local que pode assim beneficiar não só do sabor destes frutos, mas também das caraterísticas verdadeiramente saudáveis para o ser humano.

Cultura:
Beneficiam quando plantadas num local soalheiro e protegido dos ventos. Para jardins pequenos com apenas uma ou duas árvores, convém ter em conta a exposição solar ao longo do dia e do ano e escolher o local onde ocorra o maior número de horas de sol. Podem ser plantadas em qualquer altura do ano se bem que como todas as árvores, a primavera seja a melhor altura para a planta se desenvolver. Se for plantada em vaso ou num contentor durante o inverno, deve ficar protegida numa varanda ou junto ao parapeito de uma janela, até poder ser transplantada na primavera para o local definitivo.

As árvores cítricas não gostam de solos excessivamente húmidos, pelo que não devem ser plantadas em locais onde se concentre água da chuva ou das regas. São árvores perenes (não perdem a folhagem no outono), têm folhagem verde escura e por vezes brilhante, possuem flores pequenas e brancas muito aromáticas, com um delicado perfume que pode ser sentido principalmente aos fins de tarde. Embora perenes perdem uma quantidade substancial de folhas cada ano, provavelmente para se rejuvenescerem, o que obriga a limpezas constantes das folhas que caem no solo por baixo da árvore para evitar a propagação de doenças e pragas. É talvez a parte mais “incómoda” da plantação de um citrino, de resto pouco trabalho dão e são árvores muito generosas, pelo menos em Lisboa, onde vários jardins mais antigos ainda as mantêm.

Os frutos necessitam de cerca de seis meses para atingir o tamanho conveniente e amadurecerem o suficiente para poderem ser comidos, mas o resultado final vale bem a espera pois são frutos que, quer na variedade laranja, toranja ou tangerina, são extremamente adequados à prevenção de muitas doenças, sobretudo pela ingestão de vitamina C de que são verdadeiras fontes naturais. O limão pode também ser utilizado em sumos ou na gastronomia, tendo virtudes semelhantes às dos outros citrinos.

Luz: Um citrino requer muita luminosidade e calor pelo que o melhor local para plantar uma laranjeira ou um limoeiro tem que beneficiar de pelo menos 6 a 8 horas de sol diário durante os meses quentes.

Humidade: Gostam de solo húmido mas nunca demasiadamente encharcado. Caso isso aconteça, o solo deve ser corrigido com areia e material orgânico para evitar a acumulação de água e permitir que esta escoe quando em excesso.

Resistência: Desde que cultivado no local adequado e devidamente irrigado durante todo o período de formação dos frutos, os citrinos não requerem cuidados extremos, resistindo bem a pequenos excessos, quer de calor, quer de frio e chuva. Podem perder os frutos se não forem bem irrigados, e exigem também algum cuidado com a fertilização para poderem dar frutos saudáveis.

Algumas semanas depois de ser plantada e nos primeiros anos, a árvore deve ser tratada com um fertilizante equilibrado (6-6-6). Existem à venda fertilizantes químicos próprios pra citrinos, mas tendo em conta que a árvore passa por três fases ao ano (descanso, desenvolvimento das folhas/ramos e frutificação), poderá ser tratada durante cada uma dessas etapas com o fertilizante adequado, tendo em conta que nas embalagens se descreve qual o objetivo final de cada composição.


Assim, se no conjunto NPK a primeira parcela (N) for a mais reforçada, isto significa que o tratamento à base de azoto irá fortalecer a folhagem. Se a parcela mais presente for o (P) significa que as raízes e o fruto benefeciarão mais e finalmente se for o (K) o elemento prevalecente, então serão as flores e os frutos os mais beneficiados. Chama-se equilibrado a um fertilizante que tenha todos os elementos N-P-K em igual proporção, tal como 10-10-10 ou 6-6-6, que são também conhecidos por fertilizantes universais.

Leia com cuidado as instruções e nunca ultrapasse as quantidades sugeridas, que dependerão do tamanho da árvore. Por regra isso acontecerá em condições normais uma ou duas vezes ao ano. Em qualquer caso será sempre melhor cortar um pouco na dose indicada na embalagem e utilizar a fertilização mais vezes ou à medida que se for observando os resultados, do que abusar e sobreutilizar a dose proporcionada à árvore, qualquer que ela seja. Nem a planta nem a sua carteira beneficiarão dos resultados com a aplicação de excesso de fertilizante.

Ao contrário do que acontece com outras árvores de fruto, nestas não é necessário fazer a triagem dos frutos que possam estar a mais quando começam a aparecer. A própria árvore se encarregará de deitar fora os frutos que não tenham sido devidamente polinizados, ou então dará mais frutos num ano do que no outro, permitindo que estas espécies durem muitos e muitos anos sem que a intervenção humana seja necessária.
 
Propagação: Em Portugal é fácil encontrar plantas à venda já com alguma altura, mas se se pretender fazer nascer a partir de uma dada semente, deve deixar-se de molho em água durante a noite e plantar depois num pequeno recipiente a uma profundidade de 1,5 cm em solo apropriado para sementes e sempre humedecido. Cobre-se o recipiente com um plástico transparente e deixa-se repousar junto a uma janela com luz solar durante algumas semanas, até a semente germinar. Pode então retirar-se o plástico, mas a pequena planta deve ficar junto a uma fonte de luz e algum calor até atingir uns 15 cm a partir do que pode ser plantada no exterior, se o tempo o permitir.
 
Esta solução nem sempre permite obter os melhores frutos, pois quando os citrinos são comprados em supermercados ou entram na cadeia de distribuição por norma são sujeitos a tratamentos variados para preservação e sujeição a viagens longas. Se puder, compre a muda do citrino numa feira perto de si e terá com certeza melhores resultados.

Aplicações:
Quando num jardim tiver espaço para árvores, não encontra uma espécie mais decorativa e bonita do que um limoeiro ou uma laranjeira que em épocas duradouras do ano se enche de frutos amarelos ou cor de laranja. Se tiver um relvado o contraste é muito invulgar, mas tenha atenção à necessidade de deixar uma boa área toda à volta da árvore, porque esta exige espaço para as raízes “respirarem”. Como referido anteriormente, prepare-se também para a recolha das folhas no relvado lá mais para o fim do inverno, todas as semanas terá que fazer a limpeza com uma vassoura de relva para que o aspeto e a higiene possam beneficiar o conjunto.

Características:
Qualquer citrino faz lembrar o verão, pois embora a época forte dos frutos seja o final do inverno, como duram muitas e muitas semanas quer nas árvores, quer depois de colhidos, é no verão que sabem melhor, em sumo ou ao natural.

Pestes e doenças:
Várias pragas atacam os citrinos quando as condições e cuidados propiciados não são os adequados. Porém nada que uma boa e forte mangueirada não cure de vez e sobretudo, quase nunca essas ameaças impedem que os frutos sejam bons e possam ser comidos. Para casos mais sérios do que os vulgares pulgões e aranhiços, deve ser consultado um serviço de jardinagem profissional, já que os químicos são perigosos para a saúde e para a natureza.

Se puder arranje joaninhas que dão conta de muitas das larvas atacantes, antes que se formem pragas de adultos. Também é vantajoso procurar a visita regular de pássaros (pondo água e comida junto dos ramos da laranjeira ou do limoeiro) ou então incentivar a existência de abelhas e vespas, que se entretêm a comer as larvas e também a polinizar. Apenas há que ter cuidado com as crianças e ensinar-lhes a não tocar em plantas quando há abelhas por perto.